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Os rostos do Poder Local no distrito
de Leiria e concelho de Ourém
Guia do Autarca 2009-2013
disponível em versão PDF.
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Nuno Sousa Vieira
Memórias de uma fábrica na ARCO
A memória da antiga fábrica
de plásticos Simala, nos Pousos, Leiria, vai este ano à ARCO - Feira de Arte Contemporânea de Madrid. Não é uma memória qualquer. É a de quem a habita desde 2001: Nuno Sousa Vieira, que faz daquele o seu (gigante) campo de trabalho. De 17 a 21 de Fevereiro, parte das memórias da Simala estão num dos "Solo projects" da feira, fundidas na criação do artista plástico.
Manuel Leiria
manuel.leiria_regiaodeleiria.pt
Joaquim Dâmaso (fotografia)
joaquim.damaso_regiaodeleiria.pt
A ARCO
O CONVITE
A FÁBRICA
O TRABALHO
O FUTURO
Este é o momento de maior visibilidade na carreira de Sousa Vieira. A convite do comissário Jacopo Visconti, um italiano radicado em São Paulo que viu um trabalho do artista em Lisboa, ocupará um dos "Solo projects" da ARCO 2010: trinta metros quadrados num dos mais cotados eventos de artes plásticas do Mundo. É lá que vai mostrar o projecto inspirado na relação com a Simala. Mas as expectativas são controladas: "Há coisas que ultrapassam completamente o trabalhou ou a vontade dos artistas. São circunstâncias de estar no lugar certo à hora certa... Se isto me tivesse acontecido há oito anos atrás, eu achava que era o início de uma coisa radicalmente diferente, com uma expectativa grande... Mas que estou ansioso, estou".
"O meu trabalho nos últimos tempos tem-se desenvolvido em relação a uma reflexão a partir do lugar onde os artistas trabalham". É olhar para o ateliê como algo onde as telas entram brancas e saem arte, o sítio onde as coisas ganham um estatuto. A Simala, a fábrica que é o seu ateliê, é assim. "Estas coisas começaram a interessar-me, porque eu tinha um lugar particular. Por seu lado, uma fábrica é precisamente um lugar onde essas coisas acontecem". Antes entrava plástico e saiam garrafas e sapatilhas; hoje entram ideias e saem pinturas - que muitos identificam como esculturas. "Todos os meus trabalhos partem da ideia que é possível desmontá-los e ficarmos com uma pintura". No fundo, é uma questão de entrada e de saída, presente antes em exposições como "To draw a escape land" ou "Without exit".
Além de lugar, ela é matéria nas suas criações. A Simala é há nove anos o ateliê de Nuno Sousa Vieira - e é a ela que vai buscar inspiração. Por exemplo: o fim da fábrica é mote para o que vai mostrar à ARCO. Há um par de anos, a Simala ficou sem electricidade, com o desmantelamento do PT (posto de transformação). "Há um elemento, vital em todo o processo, que é cortado. E isso leva-me a reflectir sobre ele". O resultado são dois volumes, metade
do tamanho do PT, pintados de laranja, a cor do código das luvas que os desligaram. Metaforicamente, representam um mundo de segurança e outro que está fechado nele, onde antes havia perigo de morte. Além desta peça, a ARCO verá também uma escada que apela a relações de hierarquia - do dono da fábrica que decide; do artista que domina a obra. Um desdobrável-mapa articula estes espaços e questões.
A Simala tem os dias contados. Já teve uma placa "Vende-se" enorme na fachada e há um projecto para aquele terreno, na subida para Pousos. "Eu sei que este lugar está condenado". Nuno Sousa Vieira sempre o soube, "desde o primeiro dia em que entrei cá". O seu futuro na fábrica é indefinido, sem data. Sairá quando tiver de ser. Pelo contrário, o artista plástico sabe o que representa este regresso com destaque à ARCO, onde o espaço é vendido ao centímetro e a peso de ouro (até as fichas triplas são alugadas ao dia).
A ARCO 2010 decorre entre 17 e 21 de Fevereiro (a abertura ao público apenas acontece dia 19). É já a 29ª edição. Galeristas, críticos, artistas, coleccionadores e gente de alguma forma ligada às artes plásticas viaja ritualmente para Madrid, Espanha, para participar neste verdadeiro acontecimento cultural - e económico, dada a grandeza de muitos dos negócios ligados à arte que por lá se fazem. Este ano é anunciada a presença de cerca de duzentas galerias e de mais de dois mil artistas ligados à criação contemporânea. Nuno Sousa Vieira é um dos 34 artistas convidados a assumirem um "Solo projects". Esta será a terceira participação do artista de Leiria na ARCO.