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Diario Cantos da Floresta
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Banhar-se na sabedoria indígena é dar corpo à alma ancestral. Nossa História não começou com a chegada dos europeus no século XV. Muitos povos nativos já viviam nestas plagas, então invadidas. O Brasil, diferente daquilo que se diz, não foi descoberto, foi inventado
Olivio Jekupe
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Vamos contar aqui o que vai acontecer nessa viagem ao Norte do Brasil. Nossa viagem começa em Rondônia, depois vamos para o Acre e finalizamos no Amazonas.
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SP 10 de julho
Fizemos contato com uma comunidade indígena com que tocaremos em Manaus
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É a comunidade Bayaroá (significa mestre dos rituais na língua Tukano) localizada na BR 174, km 4 reúne 38 indigenas de 10 famílias das etnias Piratapuia, Tukano, Dessana, Tariano, Baré e Tuiuca.
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O teatro Amazonas foi
inaugurado em 1896, é uma das expressões mais significativas
da riqueza da região durante o Ciclo da Borracha.
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São Paulo, 15 de julho
A boa nova é que conseguimos, depois de muito esforço, o teatro Amazonas em Manaus. Será maravilhoso nos apresentar lá!!!
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São Paulo, 09 de agosto de 2011
Os preparativos para a nossa viagem estão a mil! No próximo dia 15, partimos para Ji-Paraná para dar início a nossa turnê pela Amazônia. Muita emoção!Marcia Caldeira, nossa produtora, não conseguem nem dormir de tanta preocupação e ansiedade
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São Paulo, 15 de agosto de 2011
Hojé é o grande dia! Mawaca parte a tarde para Rondônia para intercâmbios com indígenas da Amazônia. 20 pessoas embarcando para essa grande aventura. Alegria total!
Desorganização da Trip
Nosso fotógrafo Eduardo Vessoni não pode embarcar com a gente por problemas no sistema da companhia aérea. Sem maiores explicações, cinco passageiros,além dele, ficaram sem embarcar....
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Ji
- Paraná, 16 de agosto de 2011
Partimos ontem de São Paulo, saindo às 18h e chegando às 23h30 em Ji-Paraná em Rondônia, primeira cidade que nos apresentaremos. Hoje, pela manhã, tivemos nosso primeiro encontro com os Ikolen-Gavião e os Zoró, que falam a mesma língua, Tupi-Mondé. São 2 horas e meia de ônibus até a aldeia. Lá chegando, o Josias Gavião nos conduziu para uma clareira no meio da mata onde já estavam todos os indígenas nos esperando. Logo, começaram a tocar as flautas de bambu verde, de nome tuturap. Tocam uma melodia de três notas que é dividida por cada músico que toca uma única nota. Assim, recriam a melodia num estilo chamado hocketus que eu conhecia já dos povos xinguanos, mas não sabia da existência disso por aqui (só em gravação)
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Liderados por dois caciques Ikolen e um Zoró, o grupo se apresentou, mostrou suas músicas (muito bonitas, por sinal). Cantamos para eles Akhoyte Panderesey que faz parte do mito da criação dos Ikolen. Depois cantamos Koi txangaré, que nos foi ensinada pelos Paiter Suruí. Marlui também cantou um nambeko dos Suruí (canção do facão). Os Zoró nos cantaram e dançaram a música do macaco anime e outra que falava do contato com o homem branco. Os Ikolen mostraram também uma música que reclama da hidrelétrica que querem construir no Rio Madeira que se iniciou no governo do Ivo Cassol.
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Fomos almoçar e comemos tambaqui assado na palha, delicioso! Depois, os Ikolen mostraram as flautas Goian ey que só deve ser tocada durante o período do milho verde na estação das chuvas. É com elas que vamos abrir o show de amanhã a pedido do Catarino Sebirop que nos contou que essas flautas são tocadas para agradar o povo das águas, os Goian ey, que se forem esquecidos podem fazer grandes estragos através do poder da água.
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Então, Catarino disse que ia tocar só um pouquinho e apenas 2 flautas porquê não é a melhor época para fazer isso. Vão tocar no show como uma exceçãoa regra. O curioso é que quando os dois Ikolen começaram a tocar as flautas, começou um vento forte, que girava em torno deles!
Uma tempestade parecia que ia cair, sobre nós, mas os Ikolen pararam com as flautas e tudo se amansou. Acho que não deu tempo dos Goian ey ficarem bravos. Amanhã 10 Ikolen tocarão 10 flautas... Espero que os Goian ey não fiquem bravos amanhã no show!
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Rolou uma jam session na clareira e Gabriel acompanhou os Ikolen na sanfona com muita animação!
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Ji-Paraná, 17 de agosto de 2011
O show hoje com os Ikolen-Gavião e Zoró foi muuuuitto legal. Muito improviso mas muita alegria.Mais de 700 pessoas nos assistiram. Os Ikolen foram super aplaudidos. Depois conto mais. Agora posto umas fotos do Edu Vessoni que está nos acompanhando nessa viagem.
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Mawaca e Ikolen-Gaviao no camarim do teatro em Ji-Parana
fotos Edu Vessoni
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Ikolen e Mawaca
gran finale
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Cacoal 18 de agosto de 2011
Saímos de Ji-Paraná cedinho e partimos para Cacoal. Chegamos às 10h. Trocamos de ônibus e saímos para a aldeia. Já na estrada rumo a aldeia da Linha 14, dos Paiter Suruí, caiu uma chuva muito forte, mas muito forte mesmo. Até tudo bem, mas acontece que o limpador do parabrisa não funcionava. Algumas pessoas do Mawaca começaram a ficar preocupadas com isso, pois o motorista mal conseguia enxergar. Detalhe: a estrada NÃO tem acostamento. Não dava nem para parar, esperar a chuva passar e continuar. Decidimos voltar para a cidade, receosos de que o ônibus pudesse atolar. Frustrados, voltamos para o hotel.
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Nos sugeriram de ir para o Selva Park, um projeto de um sulista que veio para cá há 30 anos. Comemos por lá e no final do almoço, nossa produtora Maria dos Índios (figura fantástica daqui da cidade) chegou dizendo que deveríamos ir para a aldeia, porquê os índios estavam nos esperando ansiosamente e que a estrada por lá estava legal, não havia chovido.
Chegamos à aldeia e fomos recebidos com um certo desânimo e cansaço dos Suruí, pois a espera tinha sido longa e por não haver como se comunicar por celular ou radio, ficaram sem saber porque não havíamos chegado a tempo. Acho que estavam chateados. Explicamos o ocorrido e decidimos abrir uma roda de conversa e de demonstração das músicas deles e das nossas, algumas que eram deles também, como Koi txangaré, So perewaitxé e Eh Boi!, Akhoyte entre outras.
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ELes cantaram em grupos, dançaram, cantaram em solo, tocaram as flautas da festa da chicha, as mulheres também cantaram um kasarey (canção de amor) juntas e assim foi se passando nosso papo musical. Em meio a tudo isso, as crianças da aldeia, muito animadas, começaram a pedir para que tocássemos nossos instrumentos. Ana Eliza mostrou o hulusi, um instrumento de sopro chinês e elas ficaram encantadas. Cris tocou pandeiro para elas e elas queriam tocá-lo também. Pegaram nos nossos caxixis e queriam saber como usar, de onde vinham. Por fim, cantamos algumas canções dos bichos de Palob, um mito que conta a descida dos animais a terra a mando dos dois irmãos criadores, Palob e Palob Leregu.
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As crianças se mostraram com uma sede de aprender a cantar, e eram muito vivazes e sorridentes. Com os olhos amendoados, muitas delas nos abraçavam muito, riam da Zuzu imitando um cachorro (Zube), personagem que ela faz muito bem e assim começou nossa amizade com as crianças Surui que roubaram a cena.
Amanhã será o dia do show com os Paiter. Chegaremos ao teatro pela tarde para ensaiar com eles e decidir como será a apresentação. Sei que haverá improviso também como foi com os Ikolen.
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Cacoal, 19 de agosto de 2011
O show hoje com os Paiter Surui foi memoravel! Eles cantaram várias musicas no nosso show, inclusive as mulheres que nunca cantam em publico seus amores. Foi lindo ve-las iluminadas com microfone na frente. Os Paiter Suruí abriram com uma musica da flauta de bambu e rodaram enquanto Gasalab cantava uma cancao relacionada a pintura corporal.
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O momento alto foi quando as criancas cantaram com a gente. Elas ficaram sentadas no chao do nosso lado e fizeram o refrao da Cancao Kayapo depois cantamos duas musicas do Bichos de Palob, da paca e da cutia. Embora um pouco timidas, elas emocionaram o publico e a nos, cantoras, tambem.
No final, Koi txangare cantada com os homens Paiter Surui que ganhou uma forca especial. Fomos ovacionados. A plateia urrava de alegria. Valeu!
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Gabriel tentando tocando as flautas Goian ey dos Gavião-Ikolen
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Final do show com os Suruí e Mawaca em Cacoal
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Magda Pucci e criança Suruí durante show em Cacoal
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Porto Velho, 21 de agosto
O show aqui no SESC Esplanada foi bem legal. Apesar do palco meio pequeno para nós, o publico estava caloroso e Marlui deu um show a parte emocionando a todos. Agora é a vez de Rio Branco!
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Maria dos Indios, nossa produtora em Rondonia, abrindo o banner dos shows do MAwaca por lá
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Magda Pucci e Marlui Miranda momentos antes de entrar no palco
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Porto Velho,
Depois de uma longa viagem de 9 horas de ônibus saindo de Cacoal, chegamos a Porto Velho, capital de Rondônia. Transferimos a oficina com os Karitiana para o dia seguinte, pois não daria tempo de encontrá-los. No dia seguinte, pela tarde, apenas três Karitiana apareceram, meio ressabiados, não muito confortáveis com os nossos pedidos para que cantassem para nós. Um deles, Nelson era professor indígena e infelizmente não sabia cantar nenhuma musica. Antenor, chefe geral da aldeia, tinha suas próprias musicas, mas cantavam baixinho sem muito entusiasmo. E depois chegou Rogério, falante que mostrou uma dança do Parakanã que era mais interessante. Mas devo dizer que o contato com eles foi meio decepcionante, pois não houve uma integração das mais felizes. Durante o show, eles cantaram cada um uma canção e ao final fizemos essa canção do Parakanã que parecia um forró embora, eles dissessem que era tradicional.
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Mawaca se apresentando no SESC Esplanada em Porto Velho
Rogerio Karitiana no show do Mawaca em Porto Velho no dia 21 de agosto
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Rio Branco, 22 de agosto.
Chegamos em Rio Branco e curtimos rapidamente a cidade na nossa unica tarde livre.
Amanhã é dia de nos encontrarmos com os Kaxinawá, um povo maravilhoso, cujos cantos de miração são muito, muito bonitos. Não vejo a hora de encontrar Ibã Kaxinawá, que vem coletando esses cantos de cipó há um bom tempo, já tendo até publicado dois livros sobre o assunto. Pensam que índio vive na Idade da Pedra? Nananinanão..
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Rio Branco, 23 de agosto
Logo pela manhã, nos reunimos com os Kaxinawá (Huni Kuin) na Comissão Pro-Indio do Acre, um espaço maravilhoso que foi totalmente reflorestado para servir às atividades indígenas. Quando chegamos, fomos apresentados às coordenadoras que nos mostraram o setor de documentação e a livraria. Depois nos conduziram a um espaço aberto onde eles realizem os cursos de formação agro florestal e de línguas indígenas.
Aos poucos, os Huni Kuin foram chegando com seus lindos cocares e pinturas corporais e detalhe importante, com suas câmeras nas mãos nos filmando o tempo todo.
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Conversamos um pouco, nos apresentamos a cada um deles. Perguntei sobre o Ibã Kaxinawá, com quem eu havia conversado antes e que é o responsável pelo resgate dos cantos de cipó de seus antepassados. Um pouco depois, eles ofereceram o rapé para nós. Cada um dos Mawaca começou a aspirar essa mistura de ervas e cinzas de animais. Uns lacrimejavam, outros riam, outros se deitavam meio zonzos, uma vomitava, enfim, as reações foram as mais diversas. Não era cipó, apenas um rapé! Daí, ficamos ali sentados na grama por um tempo imensurável quando Ibã chegou. Me levantei e me apresentei, embora um tanto zonza. O que aconteceu na sequencia foi mágico. Eles começaram a cantar o Matsã Kawá, a música que cantamos no Rupestres Sonoros! Que maravilha!
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Depois da sessão de rapé, fomos a uma casa de madeira a beira de um açude, onde eles se apresentaram para gente numa cerimônia muito bonita, solene em que todos cantavam de forma bem harmoniosa. Ibã, com sua voz firme, chamava os cantos e os outros respondiam em coro com um ritmo bem característico da música deles. Só ouvindo para entender, porque explicando assim, parece meio bobo, mas o ritmo da música dos Huni Kuin é muito interessante, tem um desenho muito bonito, diferente de tudo o que se pode imaginar.
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Depois da apresentação deles, eles pediram para Mawaca tocar para eles. Sentamos-nos no deck de madeira de frente para eles e cantamos Tamota Moriore dos Txucarramãe, Akhoyte dos Ikolen-Gavião e a música Mawaca que o Kadosch fez para gente (segundo a Cris, a música da nossa tribo...) Depois Marlui cantou um tema Suruí. E para finalizar, cantamos com Marlui a canção Hirigo das índias Tupari.
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Iba Kaxinawa, grande conhecer dos cantos de cipo
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Depois eles nos fizeram algumas pinturas nos braços com os kenes, os desenhos da jibóia (tem um mito lindo que conta a origem do cipó que se relaciona com a jibóia no livro que o Ibã escreveu). Subimos ao refeitório, todo aberto, em que podíamos ouvir o som da cigarras e muitos insetos. Almoçamos um delicioso peixe assado com mandioca, arroz, feijão e salada e um suco de cupuaçu delicioso. Mais pintura corporal seguida de compras de colares, pulseiras e braceletes, uns mais lindos do que os outros.
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Cleber Kaxinawa fazendo pintura corporal
hora do rapé (Eduardo Vessoni)
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Voltamos para o espaço das oficinas e então os Huni Kuin dançaram para gente o Katchanawa, o ritual dos legumes. Depois nos convidaram para dançar também em roda sempre terminando com uns gritos agudos e felizes. Marcamos de nos encontrar no dia seguinte para fazer o ensaio geral no Teatrão daqui de Rio Branco.
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Rio Branco, 24 de agosto de 2011
O show com os Huni Kuin no Teatro Plácido de Castro, mais conhecido como teatrão, foi maravilhoso. Realmente, é um teatro de grandes proporções, com um palco enorme, com excelente acústica, com fosso para orquestra, com uma infra-estrutura muito boa de fazer inveja a muito teatro paulistano. A nossa equipe técnica depois de sofrer algumas pendengas em Rondônia, ficou feliz de poder realizar o nosso show com tudo o que tem direito inclusive um telão que tomava todo o fundo do teatro e que podia fazer as fotos tiradas pelos dois Edus, o Vessoni e o Pimenta, ganhassem uma dimensão magistral em grande estilo.
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Conhecer os Huni Kuin foi um grande presente para o Mawaca. Eles tem uma amabilidade, uma maneira de olhar e cantar que é singular. Com o vestuário feito por eles mesmos!, eles se apresentaram com uma imponência que foi de arrepiar. Os cantos de cipó são muito bonitos, tem uma rítmica muito interessante. Eles cantaram três, uma para abrir os trabalhos, ou seja, chamar a força, outro para a miração propriamente dita e outro para diminuir a força do cipó. A platéia os recebeu com muitos aplausos e alguns gritavam o Hauxi! que é a expressão usada para finalizar cada canto
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Show do mawaca no Teatrão em Rio Branco
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A apresentação deles se deu no quase ao final do show, depois da participação especial da Marlui que, como sempre, cantou muito bem, com voz expressiva.
Marlui antou uma música dos Tupari e outra do Jabuti mmmmmammmm...
Depois dos Huni Kuin se apresentarem, voltamos com mais três músicas nossas, So perewaitxe (Paiter Suruí) que funcionou como uma homenagem a todos os pajés brasileiros (fala que foi bastante aplaudida), Tamota Moriore e Clandestino do Manu Chao. Depois convidamos os Huni Kuin Kaxinawa para o palco novamente para fazer a dança ritual do Katchnawa com uma pisada boa. Foi muito bom. Acho que o público do Acre gostou da gente. Essa é a sensação.
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Manaus 25 de agosto de 2011
Depois de madrugar para viajar de Rio Branco até Manaus, com um cansaço extremo, nos deparamos com uma chuva forte na capital do Amazonas. Mesmo exaustos, logo depois do almoço, fomos visitar a comunidade Bayaroá que é formada por remanescentes de diferentes grupos indígenas da região, como Tukano, Tuyuka, Bará, Desana, Tariana.
Logo ao chegarmos, eles nos pintaram com crajiru, o urucum deles. Tivemos uma grata surpresa, pois sabendo que era um grupo que vivia na periferia da cidade, imaginávamos uma música pouco cultivada. Mas não, nos enganamos. Os Tukano tocaram para nós dois tipos de flauta, a jurupatu, flauta-apito tocada pelo Justino e seu filho e a cariço (ou carissu) que é uma flauta de pan de tubos mais finos. Ambas as flautas têm escala não temperadas muito bonitas, que se assemelham ao tom oriental, são descendentes e tem um trítono no meio.
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flautista Tukano da Comunidade Bayaroá
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Depois cantamos para eles, Tamota e Mawaca do Kadosch e depois eles nos convidaram para dançar o Carissu novamente. As cantoras do Mawaca de pé na terra batida dançaram muito com os homens indígenas e depois os homens do Mawaca dançaram com as mulheres Tukano. Rolou uma integração rápida e espontânea e um carinho muito grande por eles que vivem numa terra minúscula sem espaço para plantar nada. Eles tinham duas cotias no fundo da maloquinha (como eles mesmos chamavam) feita de casca de madeira e de palha.
Apesar do calor e do cansaço, nos sentimos revitalizados pela acolhida simpática desse grupo que vive de forma precária, mas que fazem uma música linda, linda. Saber que iriam pisar no palco do teatro Amazonas no dia seguinte me dava uma grande alegria.
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chocalho de pé dos Tukano (foto Vessoni)
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Manaus, 26 de agosto
O show no Teatro Amazonas foi maravilhoso. Conto com mais detalhes depois, pois agora o cansaco eh muito grande. Ai vai o link da materia que saiu hoje no jornal local e duas fotinhas.
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Materia do Portal Amazonia de hoje 27_08_11 http://www.portalamazonia.com.br/secao/noticias/amazonas/2011/08/27/indios-cantaram-e-encantaram-no-teatro-amazonas/
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Manaus, 27 de agosto de 2011
O show de ontem à noite, no grande Teatro Amazonas, foi MARAVILHOSO! Só de subir naquele palco já dava uma enorme alegria. Pensar que em 1896 um teatro desse porte se erguia num período em que Manaus vivia a belle epoque do ciclo da borracha já é bastante inspirador... Imaginar quantas histórias e figuras importantes da ópera europeia passaram por ali nos suscita uma curiosidade grande. Saber que se colocava látex nos pisos das ruas laterais para que as carruagens não atrapalhassem, com seu ruído, o espetáculo ali dentro, é luxo! Ver que mesmo hoje, depois de mais de 100 anos, o teatro continua ali, bonitão, bem preservado, com uma atividade cultural intensa com ingressos a valores simbólicos é bem entusiasmante.
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E não é que nós, do Mawaca, uma banda nada conhecida por aqui, ganha de presente a oportunidade de tocar nesse teatro antológico e ainda por cima, fazendo um espetáculo de música indígena?!
Soubemos que havia mais de 100 pessoas que ficaram de fora, na esperança de conseguir ouvir pelo menos a última música do show. O público, de mais de 700 pessoas, se mostrou entusiasmado e aplaudiu muito a participação da Comunidade Indígena Bayaroá formada por remanescentes de Tukano, Desana, Tariano, Tuyuka. Esse mesmo público ouviu Marlui Miranda atenciosamente com grande respeito depois de 20 anos de uma vaia que ela recebeu aqui por cantar temas indígenas ao lado de Egberto Gismonti!
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O show começou com a Marlui Miranda cantando em off um nambeko Suruí enquanto as imagens da Pedra Furada iam surgindo no telão. Os músicos entraram com suas lanternas de mineiros e iam observando aquelas imagens, olhando a grande pedra com a imagem dos indígenas de braços levantados, como em um grande ritual.
Um pedal com efeitos tocado pelo Bira, nosso baixista, dava um clima para que as cantoras entrassem e se posicionassem de costas para a platéia para cantar o inicio de Koi txangaré, o canto antropofágico dos povos de língua tupi-mondé.
Ao viramos para a platéia, sentimos uma vibração especial do espaço, a acústica impecável, extremamente confortável. Que lindo poder ouvir tudo nos mínimos detalhes! E a reação das pessoas, irão aplaudir? Vão estranhar?
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Ao viramos para a platéia, sentimos uma vibração especial do espaço, a acústica impecável, extremamente confortável. Que lindo poder ouvir tudo nos mínimos detalhes! E a reação das pessoas, irão aplaudir? Vão estranhar? Aplaudiram, respeitosamente, sem grandes arroubos até cantarmos a música que Kadosch compôs para gente. O ritmo dela contagiou o público. Seguimos com Tamota Moriorê que também empolgou a platéia. O tempo voou.
Quando me dei conta, já era hora dos Bayaroá entrarem. Começaram com o duo de flautas jurupatu com pai e filho tocando abraçados. Depois apresentei D. Isabel que improvisou nos dando boas vindas. Na sequencia, as flautas de pã cariço (ou carissu) cujos sons enchiam o teatro de pura magia.
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Eles foram muito aplaudidos, o que me deu uma felicidade enorme. Foi a primeira vez que indígenas estiveram no palco do Teatro Amazonas como artistas em performance.
Depois voltamos para o palco e fizemos mais três músicas fechando com a adaptação de Clandestino que ganhou a simpatia do público. Queria que Manu Chao visse isso!
Daí foi só alegria! Dançamos todos o cariço, os homens do Mawaca com as mulheres indígenas e nós, cantoras com os homens indígenas. E o público animadamente, batia palmas no ritmo das pisadas dos Bayaroá, mestres dos rituais.
Saímos dali com a alma repleta de alegria, as palavras não bastam. Viva Manaus! Viva o Teatro Amazonas! Viva o Mawaca! Viva Marlui ! Viva Tukano, Tuyuka, Desana, Tariana e todos os povos indígenas dessa terra!
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Manacapuru, 29 de agosto de 2011
Hoje pela manhã, fomos visitar uma aldeia Kambeba distante 38 km da cidade. Ao chegar, havia um pequeno riacho que atravessamos de canoa. Umura nos conduziu ao outro lado da margem de onde vinha o som de buzinas feitas de bambu. Chegando a casa principal, fomos recepcionados na língua materna pela tuxaua (líder da aldeia) Wika, também conhecida como D. Teca. Fomos chegando aos poucos, pois na canoa, apenas cabiam umas 7 pessoas. Havia muitas crianças, muito bonitinhas, com cabelos lisos, lisos, pretos, pretos com o tradicional corte de franja reta. No meio deles, havia uma Kambeba que não era da família, mas que estava ali interessada em apresentar suas músicas também. O nome dela, Adana.
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Quando todos do Mawaca chegaram, os Kambeba se reuniram com todas as crianças para cantar duas músicas de boas-vindas, com melodia que pareciam hinos evangélicos ou algo do tipo. Apresentei toda a banda, um por um, e depois cantamos Tupari e Akhoyte. Marlui cantou Tchori, a música do pica-pau. Adana cantou duas canções compostas por ela.
Pedi a uma das professoras indígenas que estava organizando a oficina, que nos cantasse música dos antigos. D. Teca, então, cantou ao lado do marido, várias canções acompanhadas das danças feitas pelas crianças conduzidas por Umaru, que estava muito animado e dando as instruções toda a meninada. Ele sempre perguntava: Awi? E todas as crianças respondiam: Awi!, entusiasmadas. Umaru cantava e logo traduzia as letras das músicas com facilidade, pronunciando vagarosamente para que anotássemos tudo.
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Antes, uma moça Kambeba de nome Márcia se apresentou como mestranda da UFAM e apresentou uma poesia sobre eles, lembrando a origem do nome cabeça chata que se pronunciava como akanga (i)pewa, cujo som foi se transformando em kambeba. O nome verdadeiro do povo é Omágua, que significa o povo que surgiu da gota d água. Ela citou vários pesquisadores que estudaram os Kambeba, mas infelizmente não sabia falar na língua materna que faz parte do tronco Tupi. Adana fala apenas a segunda língua, o tupi-amazônico (ou nhengatu?)
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Eles queriam muito que fizéssemos um arranjo sobre as melodias deles com os instrumentos do Mawaca. Achei curioso eles estarem desejosos dessa intervenção nossa. Normalmente, os indígenas preferem manter sua música intacta. Foi a primeira vez que os indígenas pediram pra gente intervir na música deles
O calor e umidade eram intensos, e a energia no pé, principalmente depois do almoço, que teve três tipos de peixe, incluindo um tipo de sardinha assada na folha de bananeira, arroz, farinha e salada com molho vinagrete, sucos e refrigerantes.
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Depois do almoço, retomamos as atividades. Pedi para cantarem mais algumas músicas. Escolhemos a do nhambu (pássaro preto) e da curupira. Ramiro foi logo tirando a melodia junto com a Ana Eliza; Gabriel criando harmonias, Armando no cajón e nós, cantoras abrindo vozes sobre a melodia deles. A coisa toda caminhou rapidamente e acho que eles gostaram muito do resultado.
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Por volta das 16h, batemos em retirada, pois o calor intenso estava deixando as pessoas muito cansadas. Combinamos de nos encontrar no dia seguinte para o ensaio antes do show no Parque do Ingá, um lugar que acolhe os grandes eventos da cidade como o Festival das Cirandas que terminou ontem aqui na cidade. Espero que o público de Manacapuru goste da música que Mawaca fará. O espaço é grandes, para grandes multidões, acostumadas ao batidão da música local.
Saimos de lá com o som das buzinas dos Kambeba na cabeça e suas canções singelas.
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O show em Manacapuru foi o menos empolgante se compararmos com todos os outros. O lugar era muito grande (para mais de 30.000 pessoas) e um tanto inapropriado para o nosso show. O público era formado por adolescentes de escolas públicas.
As crianças Kambeba foram muito aplaudidas. São lindas, alegres e muito espertas. Adoraram estar no palco do Parque do Ingá.
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Foi a primeira vez que eles se apresentaram em publico. Os professores indigenas ensaiaram super bem a molecada que se divertiu a beça. Houve muitas pessoas que vieram falar comigo entusiasmadas, dizendo que nunca tinham visto nada parecido em toda a vida e que a experiencia tinha sido maravilhosa. Se 10% daquela publico gostou do show, já valeu a experiencia.
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Ana Eliza Colomar, flautista e violoncelista do Mawaca
Manaus, 31 de agosto de 2011
Aproveito um atraso de 4 horas no nosso voo de volta da Amazônia, pra recolher fotos e vídeos de meus companheiros de viagem. Fotos e vídeos que deliberadamente venho não fazendo desde que descobri que é muito fácil se apropriar das imagens de quem já se apropriou das cenas! E cada cena!
Eu sempre preferi olhar sem o intermédio de lentes quando viajo, mas confesso que depois fico com vontade de ver as fotos e ressignificar tudo que vi e senti. Então, como boa aquariana, aqui dou um viva à tecnologia! Agora olho ao meu redor no avião e vejo mais de sete notebooks ligados. Meus companheiros de viagem editando, olhando fotos, vídeos, ouvindo os sons e, com certeza, ao organizar esse material, tentando organizar dentro de si o que foi essa experiência especialíssima.
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Procuro espaço entre poltronas apertadas para tentar registrar os últimos momentos dessa viagem de trocas e aprendizados intensos. Tudo foi muito original nessa expedição Mawaca. Até quando foi rotineiro, foi diferente, e eu pude alternar momentos de grande entusiasmo com grande reflexão. Muita risada. E muita introspecção. Que mundo louco! Conhecer os indígenas foi um exercício de alteridade dos mais autênticos.
Verificar o quanto eles correspondem de fato ao nosso imaginário e o quanto o desmentem também. São intrigantes e paradoxais, iguais e diferentes, demoram pra se revelar, e quando se revelam, sempre deixam uma reticência no ar.
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O segredo permanece no que tem de mais característico, que é permanecer segredo. Segredo revelado deixa de ser o que se espera dele...Eles, os indígenas, querem preservar o que sempre foram, mas querem também ter direito ao acesso ao que lhes é negado. Como equacionar esse paradoxo? Como se inserir, ou ao menos dialogar com a sociedade contemporânea capitalista, tecnológica, urbana que se tornou o Brasil? (este, muito mais ligado e vinculado com o ocidente europeu e norte-americano do que com os brasileiros nativos que são os cerca de 800.000 indígenas que se concentram em remotas localidades principalmente do centro-oeste e norte). Os indígenas brasileiros de hoje estão mudados e há muitas questões a serem examinadas, mas, sem dúvida, conviver um pouco com eles significa adentrar um tempo mítico e circular onde tudo almeja continuar e ser preservado
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Sons, cantos, palavras de poder e pinturas que chegam até nós vindos de tempos imemoriais. E dentro desse olhar para o circuito que é a vida e a natureza, onde tudo tem seu valor, intui-se o ensinamento de que devemos ocupar nosso espaço com dignidade, exercer nosso papel, respeitar nossos grupos e origens, pois com certeza fazemos parte de um todo maior. Quem sabe após essa experiência, possamos ter mais essa valiosa ferramenta pra nos ajudar a tangenciar um pouco mais proximamente o que significa viver nesse planetinha, e que possamos progredir não apenas nessa linearidade rotineira e sem reflexão a que estamos acostumados a viver.
Muito obrigada a todos!
Hauchi!
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Ana Eliza e jovens Suruí em Cacoal
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Chicoepab Suruí fotografa Marlui na aldeia dos Paiter Suruí
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Magda e familia do Uraan Suruí momentos depois do show em Cacoal
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Eduardo Pimenta, responsável pelas imagens do documentário, fotografa os Paiter Suruí antes da apresentação
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...foi uma enxurrada de emoções....foi uma enxurrada de paisagens....de novas antigas amizades....de carapanans...de risadas....de competencia....de coisas que ainda demorarei a perceber....mas sempre muito muito positivo e válido....
mais uma vez obrigada a cada um de vocês
Miló Martins
a que ilumina Mawaca
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POR RITA BRAGA
Todo o conceito do show Rupestres passa a fazer real sentido com a realização da turnê. Ter contato com realidade dos indígenas, por vezes mágica, outras vezes rígida, muda toda a concepção e ainda que a atuação no palco não pareça ser afetada, o interno é mais consciente, os sons, notas, frases, gestos têm mas relevância.
Me impressionou que assim, pertinho umas das outras, cada comunidade vive mundos tão distintos. Os Ikolen gavião tão generosos e suas mulheres tão caladas; as crianças Paiter Suruí absolutamente encantadoras, pedindo abraço e nos presenteando com uma atuação emocionante;
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a música dos Karitiana com marcas de séculos de influência da cultura dos brancos; o impacto irreversível do encontro com os Xamãnicos Huni Kui; os lindos, rítmicos e swingados Bayaroá cujo encontro culminou com uma inesquecível apresentação no Teatro Amazonas; os Kambeba com sua tuxaua (cacique) de cocar de madeira...
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Me faz pensar na diversidade, em como essas realidades e diferenças devem ser preservadas e celebradas. Reflito sobre meu papel como artista, ínterprete, representante, meio. E vou continuar refletindo enquanto olho as fotos, ouço os sons, revivo as experiências.
Obrigada a todos os meus competentes companheiros de expedição: Marlui, Magda, Cris, Zuzu, Guiçá, Angélica, Sandra, Armando, Val, Bira, Ana, Ramiro, Gabriel, Rica, Miló, Guto, Rodrigo, Edu Vessoni, Edu Pimenta, Chico e Márcia
Vida longa aos donos por direito da terra Brazilis, ao Mawaca e ao Rupestres.
Haux!
Rita Braga
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Rita Braga de cocar e pintada pelos Huni Kuin
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Las lloronas de Mawaca no encontro com os Kaxinawa...
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São Paulo, 31 de agosto
Foram muitos momentos intensos, emocionantes e marcantes:
minha chegada no meio da expedição, após muitos ajustes, ansiedade e expectativa... O encontro com os Mawacas em Rondônia, do aeroporto direto p/ oficina e show com os reservados Karitianas...
Marlui Miranda
cantando Madeira Mamoré (conhecida como ferrovia da morte, construída no séc XVIII) e toda a platéia cantando emocionada. Os kaxinawás, fortes, lindos, adornados e completamente organizados p/ nosso encontro ... O
s serenos, delicados e sorridentes Bayaroá, com suas flautas e a dança hipnótica..
. O momento inusitado em que o Bayaroá Justino, no meio de uma entrevista, aponta prá mim e diz reconhecer a minha descendência indígena, diz que é meu parente e que já me encontrou em São Paulo...
Com seu olhar sensível, ele "enxergou" o que poucos sabem
e o que nem ele, em palavras, conseguiu explicar... Minha bisavó materna, Manuela, com quem tive o prazer de conviver até 1990, tirada de uma tribo do interior de SPaulo por meu bisavô espanhol - o Chico Paco.
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E, para finalizar a minha semana de expedição, a fantástica apresentação no teatro Amazonas lotado, com um público esfuziante !!! O que dizer dessa experiência?
Foi um mergulho na essência, conexão com a natureza, com os antepassados, com o princípio ...
O reconhecimento da diversidade e a necessidade de se preservar e respeitar o indivíduo, o grupo, a natureza...
Do micro ao macro, respeito e gratidão...
Gratidão (a primeira palavra que eu ouvi de um Kaxinawá, juntamente com um forte aperto de mão) à todos que fizeram essa expedição acontecer, daqui e de lá, de todos os cantos, na frente ou atrás das câmeras, nos bastidores...
Gratidão à Magda Pucci, que sonhou e fez acontecer e à tribo Mawaca - que com bom humor e boa música supera, transmuta e ressignifica todos os obstáculos !!!
beijos e saudades de todos,
Angelica
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Composição de Valeria Zeidan
Iapan?
Iapan!
Awi?
Awi!
Vocês sabem o que eu quero dizer?
Tucupi, tacacá,
tambaqui, carapanã.
Hogodah omakauey itcha.
Cacau, cupuaçu,
Koitchangaré, tucunaré.
Cajá.
Café? Expresso?
Tem!
Vocês sabem o que eu quero dizer quando digo dez reais a volta??!!
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Mnhã, mnhã, mnhã, mnhã,
Mnhã, mnhã, mnhã, Gam !!
Adelmo e as cachorras,
A dissidência Farroupilha.
Jacaré, sucuri,
Igapó, igarapé.
Piracema na aldeia,
Galeria ou feirinha.
Tambaqui, pirarucu e a Madeira Mamoré.
Vocês sabem o que eu quero dizer quando digo...
Eu Odeio!!!
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Paiter Suruí,
Rio Negro e Solimões,
Bayaroá, Kambeba,
Gavião, Kaxinawá!
E VOCÊS SABEM o que eu quero dizer quando digo:
Rapé!!
Sí claro!!
Issa, issa, issa, issa, issa, issa, issa, issa, issa, issa, issa, issa, issa, issa, issa, ...!!!!
Haush !!!!!!!
Valeria Zeidan Rodrigues
(vibrafone e frame drums)
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São Paulo, 05 de setembro de 2011
Essa vivência que tivemos foi tocante em muitos aspectos e sem dúvida para mim o mais marcante foi o emocional.
Uma coisa era ouvir, ler e assistir aos vídeos de como viviam, se expressavam e o que pensavam nossos índios. Outra coisa foi vivenciar, conversar, almoçar, dançar e cantar junto e depois fecharmos na mesma emoção que era a apresentação de um sonho realizado.
Pudemos observar de perto suas organizações familiares, seu compartilhar, a aceitação do diferente (no caso nós, os brancos), o respeito aos mais velhos, a valorização de suas raízes.
Não consigo me desligar de tudo que vivi nessa maravilhosa experiência. Ressoam os cantos, as flautas, as danças, os olhares e todo carinho e acolhida que recebemos em cada aldeia que visitamos.
E resta a saudades, muitas saudades...
Sandra Oak (cantora)
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Janeiro de 2011
Projeto aprovado pela Petrobrás - Mawaca Cantos da Floresta -
6 oficinas, 6 shows, 6 tribos indigenas, 6 cidades, 17 dias de viagem, quase 100 pessoas envolvidas na produção, planilhas,
documentos, papéis, papéis e mais papéis.... foram meses de dedicação ao projeto com uma vontade enorme de tirá-lo do papel e torná-lo real. O objetivo foi alcançado!
Tudo foi feito com muito carinho desde o início. Para mim valeu cada segundo de dedicação para que tudo corresse bem e creio que cada um com seu jeito, sua arte, deu o seu melhor e por isso a turnê foi um sucesso em todos os sentidos.
A tribo Mawaca venceu essa batalha com muito trabalho e muito bom humor!
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Valeu a convivência com cada pessoa envolvida, a viagem, as oficinas, os shows,
Valeu tudo!
Em cada parada uma experiência nova e inspiradora pra continuar tirando os projetos dos papéis.
Sensação de missão quase cumprida.
Mas ainda falta a prestação de contas... rsss
saudades...
beijo a todos com carinho.
Márcia Caldeira
(produtora executiva do projeto)
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passagem de som no Teatro Amazonas em Manaus, muita emoção de pisar nesse palco antológico