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obra
Instalação proposta para o canteiro de grama localizado entre o jardim de esculturas do MAC/USP e a reitoria da universidade. O trabalho foi realizado por uma equipe de alunos do departamento de artes plásticas e consistia em interditar o canteiro com a sinalização usada nas vias públicas para obras de rua: cercas de plástico laranja e baldes vermelhos iluminados à noite.
Na época da execução do trabalho , São Paulo estava inteira tomada por obras públicas e a população, muito familiarizada com este índice . Existe um desejo nesse trabalho de mimetizar essa imagem que estava espalhada por diversos pontos da cidade e trazê-la para outro contexto.
A idéia parte de uma vontade de provocar os transeuntes e também as instituições entre as quais o trabalho se insere, no sentido de que não se trata de uma obra pública, não há nada em obras, é
simplesmente um canteiro de grama. Também a suposta obra passa a estabelecer uma relação com as outras obras do jardim de escultura do museu, criando uma outra dimensão para si: não a de obra de trânsito, mas sim de obra de arte.
Depois de montado, demorou 10 dias para que a diretoria do MAC e a Prefeitura Universitária se dessem conta do trabalho e tomassem alguma providência.
O homoerotismo no modernismo brasileiro
Realizado por Victor Brecheret , o Monumento às Bandeiras é um cartão postal da cidade de São Paulo, tanto pela simbologia em torno dos bandeirantes, quanto pelo que representa no movimento
modernista brasileiro. O trabalho de intervenção no monumento consistiu na instalação de gelatinas (filtros) cor-de-rosa nos refletores que iluminam o mesmo. Uma ação preliminar aconteceu nos três dias que antecederam a intervenção: foram distribuídos, nos semáforos de transito situados em torno do local, panfletos impressos em papel cor-de-rosa que continham uma colagem de imagens
do monumento, a data de realização e o título do trabalho- O homoerotismo no modernismo brasileiro. Foram desenvolvidas caixinhastraquitanas com as gelatinas, estas podiam ser dobradas e guardadas em sacolas e eram simplesmente encaixadas nos refletores ,o que facilitou muito a colocação do trabalho.
Dentre diversos pontos de interesse que o monumento possui, um deles é sua localização estratégica em um bairro nobre da cidade; entre a Assembléia Legislativa, a Academia Militar do Exército e o Parque do Ibirapuera. Optei por montar o trabalho em um domingo, dia em que há bastante movimento no local devido ao grande número de pessoas que freqüentam o parque e seus museus. O horário escolhido foi o crepúsculo e logo que se fez noite o monumento estava tingindo por um rosa profundo encarnado em sua materialidade.
A obra de Brecheret é uma ode aos bandeirantes , os coloca como heróis da nação. A possibilidade de subverter a relação das pessoas com o monumento criando uma atmosfera erótica foi uma maneira de abordar com ironia o contexto no qual a escultura se insere. A intenção dos panfletos foi a de divulgar e ir criando um imaginário do trabalho entre os transeuntes do local antes que a instalação fosse realizada.
Os filtros permaneceram por mais ou menos 52 horas sem alterações e foi a chuva que foi lavando e retirando aos poucos as gelatinas, que ficaram capengando por lá mais alguns dias.
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sem título
O trabalho consistiu em intervenções nas caixas de luz (back-lights) dos pontos de ônibus localizados ao longo de mais de 3 km de um importante corredor da cidade de São Paulo; no decorrer de toda a Av. Francisco Matarazzo, passando por baixo do viaduto do Minhocão até o começo da Av. São João; ao todo cerca de 18 pontos de ônibus.
Geralmente esse tipo de back-light localizado em pontos de ônibus é utilizado como base de propaganda publicitária, mas no caso desses back-lights não havia nenhum tipo de publicidade, eram simplesmente caixas de lâmpadas florescentes brancas cobertas por uma chapa de acrílico transparente, dessa maneira as lâmpadas ficavam à mostra; e essa situação permaneceu dessa maneira por pelo menos seis meses.
A operação ocorreu em duas etapas e só foi interrompida pela retirada das lâmpadas dos , até então, back-lights; ambas partiram do mesmo princípio: folhas de papel de seda aplicadas à chapa de acrílico com goma de lambe-lambe. Devido a extensão geográfica da intervenção fez se necessário contar com a colaboração de um coletivo e a elaboração de algumas estratégias táticas para dar conta de todo o percurso com alguma rapidez.
Na primeira etapa foi utilizado somente papel de seda azul sem qualquer tipo de desenho, a intenção era criar só um campo cor, trazer uma estranheza e tentar subverter a relação das pessoas com as caixas, que geralmente são usadas para propaganda; criando uma narrativa cromática para os passageiros e motoristas ao longo do corredor.
Desde o começo a questão do movimento era fundamental para a apreensão do trabalho. A partir da primeira experiência com o azul, e dos efeitos plásticos daquela relação de papel, textura, cola e lâmpadas se foi sentindo a necessidade de desenvolver a questão do desenho.
Devido a naturezado trabalho e partindo do próprio desenho que as lâmpadas formavam, chegou-se num padrão que foi aplicado nas folhas de papel de seda rosa através de silkscreen. Esse trabalho tem um caráter muito efêmero, em ambas etapas as aplicações foram retiradas em 24 horas.
Devido a naturezado trabalho e partindo do próprio desenho que as lâmpadas formavam, chegou-se num padrão que foi aplicado nas folhas de papel de seda rosa através de silkscreen.
Esse trabalho tem um caráter muito efêmero, em ambas etapas as aplicações foram retiradas em 24 horas.
rosa
A intervenção desenvolvida para a exposição Em Obras partiu do convite da curadoria Lápis para que fosse realizado um projeto de iluminação para a fachada do casarão localizado na Av. Paulista nº1.919. O trabalho foi planejado em duas etapas que, associadas,tinham a intenção de estabelecer um dialogo com o espaço da cidade e do casarão a partir da cor Rosa.
Primeiramente se deu a partir da aplicação por todo o muro, grades e portão da fachada de papel de seda rosa com cola, de maneira que em um primeiro momento a cor rosa renovou a fachada do casarão, que se encontrava bastante danificado. A idéia do empapelamento partiu da vontade de se estabelecer uma relação temporal entre a casa e a exposição. Papel com cola é algo que se degrada com o tempo e não tem muita durabilidade; nesse sentido a condição efêmera do empapelamento apontava para um processo de deteriorização que o prédio vinha sofrendo.
O casarão, remanescente da Belle Epoque da elite paulistana, pode ser visto como uma ilha no cenário corporativista da avenida e encontra-se hoje em plena decadência. A exposição permaneceu em cartaz por um mês e, ao seu final, os papéis deteriorados produziram um novo olhar sobre a fachada; um retorno à realidade daquele espaço.
O outro foco do trabalho foi o projeto de luz em que foram instalados dez refletores de vapor de sódio com gelatina rosa nas torres do muro em frente da casa, de modo que esses refletores estavam mirados para o chão da calçada, criando um corredor de luz no lado de fora do casarão, um tipo de passarela. A intenção era criar uma tensão com o passante da rua e de subverter a relação que geralmente se estabelece com esse tipo de refletor (usado para iluminação de prédios, monumentos, obras públicas...) a partir, simplesmente, de um novo direcionamento deste.
A avenida Paulista é um lugar de saturação de luz , onde é muito comum a utilização desse tipo de lâmpada de vapor muito potente no sentido de chamar atenção para os edifícios. Mas o que ocorre de fato é que esta iluminação se perde dentro desse contexto,e acaba se confundindo com a paisagem. Por isso a relação interativa entre o pedestre que foi iluminado e o trabalho fez da fachada do casarão palco de manifestações espontâneas.
O empapelamento que ocorreu no dia da abertura da exposição começou no fim da tarde. O objetivo era que acontecesse durante o por-do-sol, hora em que o céu começa a mudar de cor e ficar colorido, de maneira que ao anoitecer as luzes se acenderiam para iluminar a performance. A ação foi uniformizada no sentido de se estabelecer uma relação irônica do trabalho com o título Em Obras, numa referência às obras realizadas na avenida durante todo o ano de 2008.
O grupo Teatro da Vertigem desenvolveu por mais de dez anos seu trabalho a partir de duas premissas : um processo de montagem colaborativo, que se dá a partir da contribuição de todos os integrantes em cada uma das etapas, e o deslocamento dos espetáculos para espaços não convencionais.
O espetáculo BR3 representou um marco na história do teatro brasileiro levando os espectadores para passearem a bordo de um barco no rio Tiête. A trajetoria pelo rio poluído e por cenários urbanos marcados pela degradação - uma avenida marginal repleta de caminhões e enormes tubos de esgoto - representou um desafio para a pesquisa de iluminação coordenada por Guilherme Bonfanti . Nessa ocasião, integrei a equipe de pesquisa de luz desde os ensaios na Casa 1 e permaneci no projeto até a etapa de montagem e ensaios no rio, nos quais eu operava os canhões seguidores como segunda operadora de luz do espetáculo.
De alguma maneira, minha pesquisa com luz em ações de intervenção na cidade ganhou uma dimensão coletiva e foi enriquecida pelo sem número de dificuldades que envolveram a montagem desse espetáculo. Desde a pré-estréia em novembro de 2005 até o final da temporada em maio de 2006, o BR3 atraiu um grande público e mereceu a atenção da crítica ,que reconheceu o ineditismo da proposta elegendo-o como um dos mais significativos da temporada. O espetáculo foi premiado ainda com o Shell de Iluminação em 2006 , recebendo também na Quadrienal de Praga , em 2011 o Trigo de Ouro, como o melhor espetáculo realizado no mundo ao longo dos últimos cinco anos.
fotos
Apresentação e Objetivos
Night Bus é um projeto de intervenção artística nos corredores vazios de ônibus da cidade de São Paulo durante a madrugada, que parte de uma inquietação envolvendo a relação da cidade com o transporte noturno.
São Paulo é uma das maiores e mais populosas metrópoles do mundo e seus habitantes convivem com um cenário complexo: a cidade tem um trânsito caótico, dominado por uma frota de carros particulares que aumenta diariamente de maneira estrondosa. Entre as diversas explicações para isso, está o fato de que o transporte público não dá conta de atender todas as necessidades da população.
Um exemplo disso é o fato de que, apesar ser uma cidade que não para nunca e tenha pessoas trabalhando 24 horas por dia, São Paulo é uma das únicas capitais do país que não oferece um serviço expressivo de ônibus noturno. Além disso o metrô não funciona durante toda a madrugada, exceto em ocasiões excepcionais. A pouca atenção do Estado à questão do transporte noturno, parece se relacionar ao fato de que a vida noturna na cidade não é encarada como uma questão de ordem pública, sendo tratada de forma marginalizada.
Partindo desse ponto surgiu a idéia de inserir um ônibus noturno circulando na cidade. A proposta do projeto Night Bus é intervir nos corredores de ônibus vazios da madrugada paulistana. A idéia é utilizar um ônibus de linha comum e criar no seu exterior e interior uma ambientação audiovisual que dialogue com o espaço da cidade, estabelecendo uma fio narrativo que guie a experiência estética.
O ônibus será equipado com lâmpadas fluorescentes azuis de maneira que se projete uma luz azul tanto para dentro quanto para fora dele; além disto a pesquisa luminosa contará com equipamento para projeção de imagem e som, que será utilizado tanto dentro como fora do ônibus no sentido de criar uma ambientação audiovisual que estabeleça um diálogo entre esses dois planos: a rua e o espaço interno do ônibus. A idéia é que seja feita uma programação visual para o ônibus e seus pontos de parada, no sentido de divulgar e criar uma sinalização clara para o trabalho, de modo que as pessoas possam reconhecer a existência do trabalho na cidade.
A pesquisa audiovisual pretende criar uma narrativa para esse circuito e as imagens que serão projetadas vão ser captadas ao longo do período de preparação do projeto, quando faremos um mapeamento humano do circuito a ser percorrido pelo ônibus, entrevistando motoristas e usuários do trajeto em questão. Na banda sonora, o vídeo alternará momentos em que o som direto das entrevistas será predominante e outros em que imagem e som estão fora de sincronia e o que prevalece é a ruidagem da rua ou musicas incidentais compostas especialmente para o projeto.
Mas como definir, dentro de uma cidade imensa e cheia de contextos sociais diversos, um só trajeto para o ônibus? A medida que seria impossível um trajeto que contemplasse toda a cidade, entendi que precisaria fechar algum circuito, dos milhares possíveis, e resolvi começar pela região central, buscando um roteiro que contemplasse vias que de fato possuem uma movimentação noturna e que pudessem proporcionar uma interação mais ativa entre transeuntes e o Night Bus. A partir daí, o seguinte circuito, me pareceu um ponto de partida interessante:
Consolação- Rebouças- Eusébio Matoso- Rebouças- Av. Dr. Arnaldo- Heitor Penteado-
Av. Pompéia- Av. Francisco Matarazzo- Amaral Gurgel- Praça da República- Consolação
A intenção é de que o ônibus circule durante quatro fins-de-semana ( sextas e sábados) ao longo de um mês por toda madrugada, desde de as 21:30 até a 5:30 da manhã, repetindo sempre o mesmo trajeto, e parando nos pontos de ônibus que estiverem sinalizados para recolher e transportar os passageiros, sem cobrar passagem. Existe também nessa fase a possibilidade de convidarmos outros artistas para desenvolverem propostas independentes dentro do Night Bus, que dialoguem e se relacionem com o trabalho em dias específicos.
A fase final do projeto se relaciona à vontade de que o registro do trabalho não seja encarado como simples documentação e se incorpore ao trabalho. Existe uma atenção especial ao projeto de vídeo, que associado ao material que será captado na fase inicial do projeto ,tem o potencial de se desenvolver em um filme independente.
A compreensão de que um projeto de intervenção urbana desse porte possui muitas camadas o aspecto formal, político, e as inúmeras questões de ordem prática que certamente direcionam o projeto deu origem a um primeiro estudo, a night kombi . Nesta primeira experiência, foram instaladas lâmpadas fluorescentes azuis dentro de uma Kombi branca que circulou pela cidade durante a madrugada. Os estudos da night kombi elucidaram a necessidade de que além de uma relação visual, o ônibus conduzisse o espectador a uma nova experiência com a cidade, por isso um deslocamento guiado.
Dessa maneira o projeto foi absorvendo novas camadas no sentido de incorporar mais a participação do transeunte. A intenção é estabelecer dentro do ônibus algum tipo de estratégia que estimule a participação dos passageiros na criação de um registro do trabalho e incorporar a memória das pessoas ao processo. Um das hipóteses iniciais seria a criação de uma cabine fechada dentro do ônibus na qual as pessoas possam deixar relatos para, por exemplo,uma câmera de segurança.
Formada em 2008 como Bacharel em Escultura pelo Departamento de Artes Plásticas da Universidade de São Paulo, começou a interessar-se por Iluminação durante a graduação , tendo frequentado aulas também no Departamento de Artes Cênicas onde trabalhou como estagiária de luz no Teatro Laboratório da Universidade.
Em 2004 juntou-se ao grupo formado e coordenado por Guilherme Bonfanti para a pesquisa de luz do espetáculo BR3 , encenado pelo Teatro da Vertigem no rio Tiête e laureado, em 2006, com o prêmio Shell de Iluminação. Envolvendo-se bastante no processo, acompanhou a montagem de luz e cenário durante os seis meses de ensaios no rio, tendo trabalhado como segunda operadora de luz durante a fase de ensaios abertos.
Essa experiência foi ponto de partida para a busca de uma formação mais técnica em Iluminação. Estagiária na L.P.L (Lighting Productions Ltd) por uma ano, trabalhou no galpão e em eventos Skol Beats e Criança Esperança.
Em 2006 trabalhou no Teatro Oficina participando das gravações do DVD "Os Sertões" como iluminadora da banda. Em seguida, foi convidada a trabalhar como assistente de Cibele Forjaz na concepção de luz do espetáculo "Os Bandidos", dirigido por José Celso Martinez , cuja estréia se deu no Festival Schillertage, em Mannheim, na Alemanha. No ano seguinte operou o mesmo espetáculo, em sua montagem no próprio Teatro Oficina. Desde então vem se dedicando à pesquisa em Iluminação , tanto com uma pesquisa escúltórica em Arttes Plásticas, quanto com a realização diferentes tipos trabalhos profissionais nessa área.
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