Lilith Ashtart
For my Fallen Angel
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Luciferianismo - Sua filosofia, influências e rituais
Escrito por Lilith Ashtart
© Copyright 2001
Revisado em 2004
Magia(k) Luciferiana
Deixa que eu, junto a Ti sob a Árvore da Ciência, Repouse, na hora em que, sobre a fronde, hás de ver seus ramos como um Templo novo se estender!
Charles Boundelaire
O Luciferianismo possui uma ampla diversidade de rituais, sendo que cada denominação possui características próprias no modo de trabalhar sua parte ritualística. Devido às diferentes e numerosas influências as quais o Luciferianismo foi submetido, como pôde ser visto anteriormente, arriscaria dizer que a Magia(k) Luciferiana é uma das mais ricas que podemos encontrar dentro do Left Hand Path. Este capítulo será dedicado ao estudo da ritualística do Luciferianismo Deísta, e algumas vezes será comentada também a visão Satânica sobre o assunto, para mostrar sua diferença.
A Magia(k) Luciferiana é essencialmente magia(k) interna, embora também seja utilizada a magia(k) externa em suas duas variações, a Hermética e a Cerimonial. O ritual hermético é aquele que é realizado solitariamente pelo praticante, enquanto que o ritual cerimonial é realizado em grupo, dentro de um Templo ou em um local dedicado às cerimônias. É um ritual mais complexo para ser realizado, pois envolve a utilização de armas mágicas, vestimentas e demais itens determinados em uma cerimônia já formulada para um certo fim, e que deve ser executada geralmente em dias, horários ou períodos determinados. Além disso, é necessário que o praticante esteja em contato com algum Templo ou grupo Luciferiano/Satânico para realizá-lo, pois é necessário mais de um indivíduo para sua execução.
O porque da ênfase na magia(k) interna vai ser mais facilmente entendido depois da explicação da diferença entre magia(k) externa e interna. A magia(k) interna é aquela que como o próprio nome diz, envolve mudanças no indivíduo, não apenas em seu estado de consciência, através da utilização de certas "técnicas" mágicas, mas principalmente no indivíduo como um todo. Ora, sendo o Luciferianismo uma filosofia que gira em torno do desenvolvimento do indivíduo até que este alcance a perfeição, nada mais lógico que o tipo de magia(k) preferencialmente utilizada seja a que envolva mudanças no próprio indivíduo. Afinal, quem não consegue mudar a si mesmo, menos ainda conseguirá mudar eventos a seu favor. Isto deve ser um pensamento constante na vida de um Luciferiano.
A magia(k) externa é aquela que envolve mudanças externas de acordo com a vontade do magista. A magia(k) externa tende a causar extremo fascínio nos praticantes, porém temos que lembrar que ela está subordinada à magia(k) interna, podendo apenas ser bem executada quando o praticante já possuir algum conhecimento e controle sobre si mesmo e assim, sobre o "mundo" que o cerca. A seguir comentarei algumas idéias polêmicas que giram em torno de um ritual satânico segundo a crença popular, além de passagens, simbologias e instrumentos utilizados.
Sobre a utilização da Magia Negra
É costume observarmos em livros a divisão da magia em branca e negra. O referencial utilizado para esta classificação é o fim ao qual é destinada a utilização desta magia.
A idéia divulgada amplamente é a de que a magia branca é aquela utilizada para fazer o bem, ou seja, possui um fim nobre. A magia negra, ao contrário, seria sempre utilizada para fins excusos. A utilização de forças demoníacas está sempre presente, e muitas vezes um pacto é necessário para que os desejos do magista sejam realizados.
Não há conceito mais equivocado do que o exposto acima. Para discuti-lo se faz necessário que primeiramente saibamos o que é magia.
Magia é todo ato de vontade capaz de mudar mudanças. Partindo deste postulado enunciado por Crowley, não são necessários sempre rituais complexos para se realizar magia. Muitas vezes praticamos um ato mágico sem nos darmos conta disso, no nosso dia-a-dia. Os rituais seriam apenas um ponto de apoio, que criaria um ambiente adequado para a afirmação desta vontade. Os elementos utilizados em um ritual, sua preparação e execução mexem com nosso subconsciente e aumenta as chances de se obter sucesso na prática. É aí que está sua importância.
Podemos concluir então que todos somos magistas naturais. Esta nossa capacidade natural, porém, pode ser bloqueada pelos hábitos e idéias que absorvemos e que interferem na realização de nossa vontade. São como vírus que se inserem em nosso ser e se propagam de forma rápida, nos destruindo.
Novamente citando Crowley (e como poderíamos deixar de cita-lo), poderíamos utilizar uma definição mais correta para magia negra como sendo aquela que não é destinada ao alcance do conhecimento e conversação com o santo anjo Guardião. Em outras palavras, qualquer magia que não seja destinada ao alcance do Eu superior, à evolução do indivíduo e conseqüente conhecimento de si mesmo, é magia negra.
Não importa se a intenção poderia ser julgada como boa ou ruim (i.e: curar uma pessoa ou destruí-la), ambas estariam interferindo em acontecimentos exteriores ao indivíduo, ambas não estariam servindo ao mais nobre dos ideais, que é a busca pela excelência, sabedoria e perfeição.
Neste contexto, o Luciferiano não é hipócrita para negar que se utiliza tanto da magia branca quanto da negra (n.a: particularmente acho que estes termos não deveriam ser utilizados já que a magia é uma, apenas o que muda é nosso propósito. Porém, para facilitar a compreensão do leitor a respeito do tópico abordado, continuarei no decorrer do livro utilizando estas classificações). Ele coloca a branca como seu grande ideal a ser perseguido, mas utiliza-se da negra para satisfazer a seus desejos e necessidades, utiliza-a para suas experiências e aprendizagem.
Como todos os opostos, ambas são necessárias para o indivíduo em seu caminho, e não se deve criar nenhuma barreira em relação a seu uso, principalmente barreiras criadas devido ao preconceito e falta de informação, que andam de mãos dadas.
A Missa Negra
A missa negra é uma simbologia geralmente associada ao satanismo e a bruxaria devido ao seu contexto anti-cristão. Acreditava-se que estas heresias eram realizadas durante os sabbats com a intenção de ofender a Deus e agradar ao demônio, para assim obter seus favores.
Há várias versões sobre como seria uma missa negra, mas basicamente ela consiste em uma paródia blasfêmica do ritual utilizado pela igreja cristã católica. O padre estaria nú, e o altar seria uma mulher virgem também nua. No lugar de velas brancas se utilizaria velas negras; cruzes invertidas, urina substituindo a água benta e a hóstia feita de materiais pouco aceitáveis eram elementos indispensáveis do ritual. A missa seria conduzida através de orações sendo recitadas em sua forma contrária. Nas versões mais excêntricas o sacrifício humano, principalmente de virgens e crianças, seria o clímax da festa.
Há apenas um único relato histórico sobre a ocorrência de missas negras em 1672. Este fato ocorreu na França, sendo conduzido por Catherine Deshayes Monvoisin (ou La Voisin, como era mais conhecida) com a ajuda do abade Guibourg. A missa envolvia o sacrifício de um bebê e a invocação de Astaroth e Asmodeus para atingir o propósito do ritual: fazer com que o rei Luís XV voltasse a se interessar por sua amante, a Madame de Montespan.
Porém esta é a única exceção conhecida, sendo os demais relatos pura ficção. Já foi comprovado e é aceito por teologistas que a missa negra jamais foi realizada por bruxas na idade média, quando supostamente teria sido sua criação e auge. Mais uma vez toda esta heresia foi criada pelas próprias mentes doentias dos sacerdotes das igrejas para ser utilizada como um argumento para a condenação durante a Inquisição. Contudo é interessante analisar algumas passagens desta invenção que possuem caráter mágico, o que mostra o quanto os sacerdotes cristãos da época eram envolvidos com a magia e seus postulados.
Apesar de tantas idéias absurdas e fantasiosas que são colocadas nesta descrição, há também passagens que possuem influências mágicas, embora de maneira distorcida. É impossível, por exemplo, não perceber elementos gnósticos neste ritual. A utilização de uma mulher nua como altar é uma simbologia pagã muito antiga, anterior à cristandade. A mulher encerra em seu ventre o mistério do nascimento que ao mesmo tempo é uma sentença de morte. Sua utilização, ao contrário da utilização na missa negra, não serve à um propósito negativo, mas sim para a invocação e exaltação do mistério da vida. Na missa negra o papel da mulher seria o de representar a promiscuidade ao invés da castidade, e por isso mesmo ela também é utilizada para corromper a hóstia.
O próprio ritual cristão católico da missa é cheio de significados ocultos. Há influências claramente vampíricas ao se consumir o sangue e o corpo de Cristo. Antigamente cria-se que ao consumir o sangue ou um pedaço de algum ser você adquiria as qualidades deste.
A comunhão em seu sentido gnóstico nada mais é do que tornar coisas comuns em coisas divinas, para então consumí-las. Ao se consumir o divino, você também se torna um pouco mais divino. Este é o verdadeiro significado da comunhão.
Sendo assim, há grupos Satânicos e Luciferianos sérios atualmente que possuem sua própria versão de uma Missa Negra, não como a corrupção do ritual cristão, mas utilizando suas passagens mágicas mais relevantes para o propósito que almejam alcançar.
O Sacrifício sob a ótica Luciferiana e Satânica
Neste tópico trataremos sucintamente a respeito de um tema muito polêmico que é a realização do sacrifício nos rituais Luciferianos e Satânicos. Não há como deixar de tratar deste assunto aqui, já que muitas vezes a mídia, pouco interessada em conhecer o assunto, vincula como sendo sacrifícios satânicos os rituais de outras crenças, como por exemplo, a quimbanda e o candomblé, ou mesmo o ato praticado por pessoas pouco saudáveis mentalmente, comprometendo toda uma filosofia. Este não é um tópico para defender o satanismo, classificando-o de a boa filosofia. É apenas um tópico que relatará os fatos como estes realmente são.
A visão Luciferiana a respeito do sacrifício não está relacionada à do sacrifício físico, mas sim do sacrifício simbólico. Um Luciferiano sabe que o sacrifício físico é totalmente desprovido de sentido, não cooperando em nada para sua evolução. Sob a ótica Luciferiana, o sacrifício tem que vir de si mesmo, simbolicamente: o sacrifício de medos, costumes, idéias, sentimentos ou qualquer fator que interfira negativamente na descoberta ou realização de nossa verdadeira Vontade.
Sendo assim, o sacrifício não é apenas realizado pelo Luciferiano como parte de seus rituais, mas sim em todos os momentos de sua vida, por sua escolha.
Quase todos os grupos satânicos tratam desta questão. Apresentarei aqui a visão dos maiores expoentes de suas respectivas denominações, embora nada deva ser generalizado. Esta é uma importante advertência, ainda mais quando tratarmos do Satanismo Tradicional.
O Satanismo moderno apresenta em sua obra básica, The Satanic Bible de Anton Szandor LaVey, um subtítulo dedicado exclusivamente a este assunto: Sobre a escolha do sacrifício humano. Neste texto LaVey critica o sacrifício tanto humano como animal alegando que um magista verdadeiro deve ser capaz de retirar toda a força necessária para um ritual de si mesmo, de seu próprio corpo, ao invés de através do sacrifício de uma vítima que não está ali por sua própria vontade. A visão sobre o sacrifício humano fica bem clara nesta passagem: O uso do sacrifício humano em um ritual satânico não implica em ser o sacrifício utilizado para apaziguar os deuses. Simbolicamente a vítima é destruída através de trabalhos de feitiçaria ou maldição, que levam a uma destruição mental ou emocional do sacrificado de maneira que não seja atribuída ao magista. Este enfoque em o ritual não ser utilizado para apaziguar os deuses têm sua explicação já mencionada anteriormente, quando tratamos das denominações Luciferianas. O Satanista moderno, não acreditando em um deus além dele mesmo, não atribui sentindo em um sacrifício realizado a alguém.
O assunto também é tratado no subtítulo As onze regras satânicas da Terra. Entre estas regras, as três últimas reafirmam o que foi dito acima.
No Satanismo Tradicional este é um tópico que requer certo cuidado para ser tratado, para evitar como dito acima, que ocorra generalização. Isto porque é aqui que se encontra a única exceção dentro do Satanismo que defende o sacrifício, a Order of Nine Angles (ONA). Embora ela seja o maior expoente do Satanismo Tradicional, não conheço nenhum outro grupo sério desta denominação que compartilhe da mesma visão. Eu mesma tenho a ONA como uma de minhas principais influências, embora não concorde apenas com sua visão sobre o sacrifício (minha visão é a Luciferiana), mas com outros pontos também. Muitos devem se perguntar: mas se não concorda com tantas coisas, como pode tê-la como influência? E é nesta resposta que se encontra o exemplo da aplicação de muito que já foi discutido acima: eu não aceito uma visão por inteiro, sem questionar, mas antes filtro o que ela traz de útil em si para ser utilizado. Lembre-se que o que é útil para mim, nem sempre é para os outros, por isso apenas podemos julgar sob nosso ponto de vista, mas não como sendo a única verdade. É por isso que colocarei esta visão aqui, para que cada um julgue conforme a sua verdade, sendo que a minha já foi exposta acima.
A ONA trata do sacrifício em vários de seus manuscritos, tanto o animal como o humano, como por exemplo, em A Gift for the Prince - A Guide to Human Sacrifice, Sacrifice, Culling - A Guide to Sacrifice I & II, Guidelines for the Testing of Opfers, Victims - A Sinister Exposé, A Complete Guide to the Seven-Fold Way, entre outros.
O sacrifício de um animal é visto como algo necessário para que o neófito realize antes de sua iniciação. Este animal, contudo, deve ser selvagem, e ser caçado com armas primitivas, sendo proibido o uso da arma de fogo. O mesmo animal deve ser consumido após sua caça. Com isso espera-se que o neófito sinta as adversidades, exercite seu pensamento e lógica, tenha uma variada quantidade de sentimentos, e consiga lidar com eles, desenvolvendo seu lado negro para sair do que é comumente experimentado no ordinário.
Quanto ao sacrifício humano, eles o classificam em três tipos: os voluntários, os involuntários e aqueles que ocorrem, por exemplo, durante uma guerra. O sacrifício voluntário envolve uma vítima que se submete por sua própria vontade ao ritual, dedicado a Lúcifer ou à sua noiva na tradição satânica, Baphomet. Este tipo de sacrifício ocorreria a cada dezessete anos, em um ritual denominado de Ceremony of Recalling. O membro do grupo se ofereceria por acreditar que esta vida é apenas um portal para o acausal, que não apenas é importante saber como viver, mas também como e a hora de morrer, e que aquela seria este momento. O escolhido atingiria então o grau de Immortal, vivendo no acausal onde teria a função de atingir a mente dos não-iniciados.
Tratando-se de um sacrifício involuntário, as vítimas então seriam escolhidas não pelo desejo de algum dos participantes, mas principalmente através de testes que revelassem sua verdadeira natureza. As pessoas envolvidas não saberiam (logicamente) que estariam sendo testadas, e aquela que não correspondesse ao esperado seria a escolhida. Estes testes seriam como que incidentes que ocorrem no dia-a-dia, nos quais as qualidades pessoais deveriam se sobressair. Um dado importante encontra-se no manuscrito Satanism, Sacrifice and Crime - The Satanic Truth : a vítima nunca será uma criança. A explicação deste fato está em que é necessário que a pessoa tenha pelo menos o mínimo de idade para ser capaz de fazer suas próprias escolhas, e analisar suas conseqüências. Na ONA, a idade mínima para uma pessoa se tornar neófita é a de dezesseis anos, quando então ela já poderá começar a trilhar seu próprio caminho. Antes disso, embora haja cerimônias de batismo, por exemplo, será apenas uma simbologia utilizada pelos pais, mas a crença nunca deverá ser imposta no futuro, ela deve ser de única escolha do indivíduo.
Muitas histórias já ocorreram de problemas envolvendo as práticas de tais atos em diferentes países, principalmente nos Estados Unidos, alguns deles tendo ligação supostamente com a ONA. Digo supostamente, pois não posso afirmar a veracidade destes fatos, embora eles tenham vindo até o meu conhecimento. O fato é que entre os meios utilizados para este tipo de sacrifício estão as utilizações de três métodos: o primeiro através de magia, o segundo diretamente através do sacrifício da vítima em um ritual, e o terceiro através de assassinato ou acidente.
O argumento utilizado pela ordem para justificar tais atos são vários, entre eles o de estarem eliminando os fracos e a doença do mundo, e que o que fazem não é criminal, já que o crime deveria ser julgado pela intenção da realização do ato, e não o ato em si.
A intenção final seria a de conduzir esta energia que é liberada durante o sacrifício para um determinado fim, armazená-la em alguma peça, como por exemplo, um cristal, ou ainda deixá-la se perder pela natureza. O único manuscrito que diz que este sacrifício poderia também apenas ser simbólico é o Sacrifice, talvez já um escrito que responda de certa forma as conseqüências que um ato deste pode ter.
A realização de Pactos
Entre tantos mitos associados ao satanismo há um que é a chave fundamental para todos os outros: o pacto com o demônio. Na concepção vulgar tudo o que discutimos anteriormente, ou seja, missas hereges, sacrifícios, magia negra e afins seriam destinados apenas ao propósito de agradar a este ser para obter dele favores. Toda esta idéia de dinheiro, fama e poder em troca de sua alma é pura bobagem utilizada por mentes infantis, corrompidas ou desprovidas de informação.
A idéia do pacto não pode existir no satanismo ou Luciferianismo, não neste seu contexto popular e errôneo, justamente por ir contra a própria filosofia. Mesmo para os adeptos da escola Tradicional isso é inaceitável: todo Luciferiano tem consciência que está em suas mãos a responsabilidade de conseguir tudo o que deseja, que sem esforço e vontade nada simplesmente virá de graça.
Para os Modernistas isto é verdadeiro devido ao fato de serem seu único deus, e não existir nenhuma deidade para quem possam ou desejem recorrer. Para os Tradicionais isto é verdadeiro por acreditarem inicialmente que toda ação deve vir de si mesmo, e que através dessa sua Vontade inabalável conseguirão fazer com que toda a natureza responda a seu favor, assim como qualquer entidade, seja ela superior ou inferior. Esta é basicamente a diferença entre as duas visões, mas o princípio aceito é o mesmo: cada um é responsável pelas suas próprias conquistas ou derrotas, pela sua força ou fraqueza, por ser um senhor ou um escravo.
Qualquer subordinação à uma Vontade alheia a sua é um tipo de servidão, e por isso mesmo o Luciferiano não permite nem deseja ser controlado por outros seres, como é a idéia inicial do pacto com uma entidade qualquer. Para alcançar sua evolução ele precisa experimentar e transpassar todas as barreiras por si mesmo. Se ele recebesse tudo facilmente, qual seria o sentido nisso? Apenas desfrutar temporariamente destes prodígios? Para que, já que ele sabe que pode desfrutar de tudo ao mesmo tempo que ao conseguí-lo estará dando mais um passo rumo ao encontro com sua divindade interior?
Outra barreira preocupante à evolução individual, e mais perigosa do que qualquer outra é a auto-ilusão. Alguns tornam-se cegos por ela, enlouquecendo e nem percebendo isso. Começam a ver seres em tudo, e a acreditar que estão no fim da jornada quando mal começaram a dar os primeiros passos. Para estes que se perderam nada resta e por isso não merecem nada além de nosso desprezo. Não devemos perder nossas energias com eles. O caminho da evolução é também o da separação entre os Deuses e os Servidores.
Mas a simbologia do pacto também pode ser aplicada de uma maneira mais sensata ao Luciferianismo. Não o pacto com o demônio pelos motivos já explicados, mas um compromisso consigo mesmo, com sua própria Vontade para lutar por tudo aquilo que deseja, e principalmente pelo grande ideal Universal, que é o encontro com sua própria divindade. Este é o único tipo de pacto aceitável dentro da filosofia Luciferiana, e qualquer outro sai totalmente do propósito desta.
Conteúdo
Os diversos conceitos sobre Lúcifer .
Filosofia, denominações e influências
Magia Negra, missa negra,as concepções de sacrifício e do pacto, rituais, o pentagrama
Nota: Esta seção é um resumo de alguns assuntos abordados no livro "Avrora Lvciferis", no qual se encontram mais aprofundados e complementados .