Lilith Ashtart
For my Fallen Angel
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Prefácio
(Retirado do livro "Lux Æterna - Fraternitas Avrora Serpentis", de autoria de Lilith Ashtart)
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"Não aceite as trevas da ignorância como sendo a luz da sabedoria."
Este ensaio traz uma nova aurora para todos aqueles que estão dispostos a deixar as filosofias de morte que tornam nossa sociedade tão hipócrita e escravizadora; a todos aqueles cansados de aceitar a posição de simples criaturas e que querem conhecer e desenvolver seu lado divino. Ele floresceu das reflexões e experiências vividas acerca da máxima: A iluminação é nutrida na escuridão. Aqui, a Serpente, antes de ser adorada, é a nossa meta a ser alcançada.
Mesmo com a evolução do conhecimento e transformação da consciência humana, há ainda aqueles que não percebem ou aceitam tal fato, se prendendo apenas a conceitos antigos. Desta maneira, acabam por criar barreiras intransponíveis ao seu desenvolvimento e ao do próprio ocultismo.
É de se admirar que algo assim tão inerente e nítido na natureza seja contestado por aqueles que defendem tão arduamente os princípios da correspondência macro/microcósmica. A intenção do estudo aqui exposto não é destruir ou invalidar a sabedoria tradicional, mas contribuir com novas abordagens e experiências mais condizentes com nosso estágio atual.
Observamos muitos debates, questionamentos e mesmo oposição a respeito da exploração de nossa sombra. É, contudo, necessário compreender que somos os habitantes destas qliphas, tão reprimidas e repudiadas por alguns. A iluminação apenas pode ser encontrada através do conhecimento e vivência deste lado obscuro da Árvore, nos permitindo transpô-lo.
Cada ser humano é responsável pela construção de seus próprios caminhos, afinal, cada homem e mulher é uma estrela, e possui seu próprio brilho, espaço e tempo. Seria possível afirmar que a experiência de um é a única fonte de despertar no outro suas reais capacidades? Seria vivenciada de igual forma, com tempo e resultado equivalentes? A Verdade é única, e apesar de não se adaptar a ninguém, pode ser descoberta de diversas maneiras. Devido a esta centralização na responsabilidade humana para sua própria posição evolutiva, não acreditamos que nossa crença em uma divindade possa ser motivo para críticas. J. W. Brodie-Innes pode ilustrar melhor esta nossa posição: "O fato de deuses, de forças qlifóticas ou mesmo de Dirigentes Invisíveis existirem realmente é algo relativamente destituído de importância; o que realmente importa é que o universo se comporta como se estes existissem" (Encyclopedia of Magic and Superstition. McDonald & Co. Londres. 1988). Assim, todo ritual em que estão envolvidas adorações, invocações e evocações a deuses, antes de tudo está envolvendo a adoração e o desenvolvimento da potencialidade do próprio ser humano.
Apesar disso, é facilmente constatado o culto e desejo da humanidade em reduzir todos a um único tipo de ser. Reduzir a diversidade a uma unidade é destruir a própria unidade em si, já que cada indivíduo é único por si mesmo. Este é o grande erro pelo qual a humanidade sempre caminhou, desde o momento em que impôs uma lista de condutas e éticas na esperança de tentar, através da unicidade, possuir o controle sobre todos de igual maneira. O mesmo ocorre com as grandes religiões e linhas que exigem entre todos os seus adeptos o mesmo comportamento através de um padrão excessivamente rígido, o que termina por direcionar suas atitudes e pensamentos, limitando a descoberta das reais essências de cada um, ao invés de incitá-las. Todos em suas visões são os escolhidos, e classificam qualquer um que não se encaixe em suas liturgias como incapazes e perdidos. A verdade é que a repressão e a opressão da manifestação das particularidades de seus membros através da imposição de uma postura única e inflexível contribuem apenas para o retrocesso e aprisionamento dos mesmos em suas ilusões, o que os fada ao fracasso, já que anulam o eu individual para se enquadrarem no estigma de um grupo.
Como poderia a transformação ser adquirida por alguém que não consegue mais distinguir sua própria essência das dos demais? Que se identifica como mais um número em meio à multidão, sem que nenhum tipo de questionamento crítico seja elaborado perante uma eterna e imutável verdade pronunciada? A identidade passa a ser substituída por um modelo do ideal, que nem sempre corresponde à realidade, já que a própria realidade é relativa quando é constatada por cada um. A negação do eu individual, e da própria natureza humana, não pode ser reprimida sem conseqüências. Os comportamentos ditados embutem nas pessoas um eterno estado de conflito. Este mesmo conflito, mal administrado, traz como resultado uma prisão ainda maior do indivíduo em si, através do medo, da loucura, da violência ou da manipulação.
A meta do Luciferianismo se encontra justamente na eliminação de tais ações que manipulam e destroem nossa essência mais pura. O foco aqui é o indivíduo e a descoberta de si mesmo, através da construção da sabedoria pelo conhecimento e experiência própria.
Dos obstáculos para a manifestação desse nosso lado inconsciente atuante e muitas vezes reprimido, talvez os maiores sejam o medo e o costume. Porém, é justamente este o ponto que divide os homens entre criadores e criaturas: enquanto os primeiros desenvolvem seu mundo por si mesmos, os outros preferem conservar a mentalidade de escravo, e desta maneira acabam por permanecer alienados e escravos de tal sistema.
Este é o despertar necessário para a Aurora Luciferiana: devemos nos voltar para nosso interior e analisar se o que ali se encontra é o que realmente somos. É primordial termos coragem e determinação de nos separar do que não é de nossa natureza, de cortarmos tudo que ainda nos prende ao rebanho. As respostas estão dentro de nós mesmos, em nenhum outro lugar. Este mundo criado e imposto a nós pela sociedade é aceito pelos tolos, deixado para trás pelos fracos e usado a seu favor pelos sábios.
Crescemos sendo ensinados a agir segundo o padrão vigente, a entender o mundo como ele é para aceitá-lo, ao invés de sermos ensinados a pensar por nós mesmos sobre tudo que está ao nosso redor, a nos valorizar e transcender nossas forças para assim modelar o mundo conforme nossas aspirações. Algumas religiões tiveram este papel social de pacificar e distrair os oprimidos de sua realidade, perpetuando o conformismo. Por isso toda religião que não valorize e treine o indivíduo a conhecer a si mesmo, é um tipo de morte: ela acaba nos distanciando de nossa própria natureza, da vida e da verdade.
Ao invés de vivermos plenamente, acabamos por viver apenas para atender as expectativas externas, esperando a recompensa em um mundo sobrenatural. Deixar de experenciar a vida por causa de vãs suposições, é já estar morto em vida! As aspirações que devemos ter têm que encontrar suas realizações aqui e agora, embora, muitas delas não sendo momentâneas, nos acompanharão eternamente. E é nisto que reside nossa maior responsabilidade, para se obter uma verdadeira liberdade.
"E Deus, onde entra em nossa vida?" Eu responderia que ele está morto em quem não consegue fazê-lo pronunciar-se em si mesmo. Cada um de nós é uma manifestação da divindade, e a própria vida é a prova disso. Contudo, aflorar nossa essência, é única responsabilidade nossa. Um deus atemporal nada necessita de temporal, então, as únicas recompensas que obteremos serão aquelas direcionadas a nós mesmos, através de nossos atos. Em não ver deus em si mesmo, mas apenas como uma força exterior, é que reside a adoração aos falsos ídolos tão pronunciada de forma distorcida em diversas culturas. Que a vida então seja uma eterna adoração do único deus real, que é aquele que se confunde com nós mesmos! Que a utilizemos para em nossas páginas escrevermos hinos, sabedorias, transmutações e concretizações, ao invés de sonhos! E assim, quando finalizarmos nosso livro, seremos dignos e mais sábios para compor o próximo.
É apenas através da diversidade que conseguimos encontrar as várias expressões com que o inconsciente coletivo universal se apresenta de uma forma inteligível. Foi este princípio que originou os tantos arquétipos, trabalhados até hoje para o desenvolvimento e descoberta da psique humana, seja através da psicologia ou da própria magia. As várias tonalidades precisam ser individualizadas para existirem, mesmo sendo parte de um todo! É certo que nem todas estas expressões obrigatoriamente encaminharão o indivíduo a sua evolução, mas quem pode lhe escrever as páginas? Apenas a experiência vivida por cada um. É do auto-aprendizado, e somente dele, que nasce a sabedoria. Seguir é abster-se de si mesmo, e incorporar o outro. Definir-se como algo é acabar por limitar-se. Cada um possui o livre-arbítrio de sua escolha e, seja o que escolher, que seja verdadeiramente, e sem medos! Mephistopheles já alertara a Fausto de que nada vale o eterno criar, se a criação em nada acabar. Então, que cada um construa seu próprio reinado e dele se torne monarca e deus! E este reinado nada mais é do que a própria vida. Portanto, fique alerta para não se tornar apenas um subalterno de outro rei...
Como nos lembrou Maquiavel: "Nada é mais difícil de executar, mais duvidoso de ter êxito ou mais perigoso de manejar do que dar início a uma nova ordem de coisas. O reformador tem inimigos em todos os que lucram com a velha ordem e apenas defensores tépidos nos que lucrariam com a nova ordem."
Não somos apenas deuses em essência e promessa; nós possuímos a coragem de nos tornar os novos deuses por nosso próprio direito, através da descoberta e do aprimoramento do potencial de vida que possuímos dentro de nós. Podemos também lembrar o que foi escrito por Willian Blake: Os homens esqueceram que todas as deidades residem no coração humano. As imagens das deidades são simples criações humanas, porém as forças que elas representam são reais. Elas estão dentro de nós, mesmo que ainda adormecidas.
"Os eleitos são os que ousam".
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© Lilith Ashtart 2001-2010.
Conteúdo
Os diversos conceitos sobre Lúcifer .
Filosofia, denominações e influências
Magia Negra, missa negra,as concepções de sacrifício e do pacto, rituais, o pentagrama
Nota: Esta seção pertence ao
ensaio "Luciferianismo: suas
denominações, filosofia e rituais, da autoria de Lilith Ashtart. Apenas pode ser reproduzido sem modificações e com a citação da autora, sob pena de infringir a lei dos direitos autorais.