A 19 de Setembro de 2011 Paulo Freire completaria 90 anos. A ARAE não poderia deixar de se associar à homenagem ao Andarilho da Utopia porque e para utilizar a sua fala, não é no silêncio que os homens e as mulheres se fazem, mas na palavra, no trabalho, na acção-reflexão.
Num espaço-mundo em que o mercado parece ter-se apropriado na sua totalidade da Ágora e que, recorrendo aos conceitos trabalhados por Licínio Lima, os processos de democratização e participação nas decisões são vistas como obstáculos a uma “gestão mais moderna e racional,” ”mais eficaz e eficiente,” de inspiração gerencialista, sacralizando-se a autonomia como recurso instrumental de uma “Nova Gestão Pública” assente na “qualidade total”, num espaço-mundo em que a justiça social parece querer dar lugar à caridade , ao assistencialismo e onde já não se fala de saberes diferentes mas de saber mais ou de saber menos ou pura e simplesmente de não saber , de ignorância, num espaço-mundo que parece querer novamente imergir, com i, as epistemologias do sul , importa reflectir e reinventar este espaço-mundo, passando-se de uma consciência ingénua para um processo de conscientização.
Pegando mais uma vez na fala do Andarilho da Utopia, o futuro não é um dado dado, não é conhecido por antecipação, não é destino certo, não é fado ou sina, é um dado dando-se, o futuro eclode da transformação do presente, o futuro não é o que tem de ser, o que já se sabe que será, mas o que façamos com e do presente, o futuro é desafio, é possibilidade, é utopia, o futuro não é inexorável, é problemático.
Assim sendo, esta homenagem quer ser um espaço de dialogicidade, acrescentando-lhe o amor, a humildade, a fé, a confiança, pressupostos estes que unidos através do diálogo possibilitem a comunicação, uma pedagogia da comunicação que não esqueça nunca que as palavras [a] que falta a corporeidade do exemplo …pouco ou nada valem.