Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Toxicologia Mecanística no ano lectivo 2010/2011 do Curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP). Este trabalho tem a responsabilidade pedagógica e científica do Professor Doutor Fernando Remião do Laboratório de Toxicologia da FFUP.
Ana Manuel da Silva Araújo,
Clara Helena Lages de Oliveira e Castro,
Ricardo André Loureiro Rodrigues
Contacto:
amanitavirosa11_gmail.com
A espécie Amanita virosa foi colhida e descrita pela primeira vez por Elias Magnus Fries na Suécia, um dos pais da Micologia.
O nome Amanita é derivado do Grego "kind of fungus" e virosa deriva do Latim virosus que significa "fétido" ou "venenoso", assim como "encontrado no Homem" ou "pertencente ao Homem".
A designação Destroying Angel ou Death Angel refere-se provavelmente ao facto de Amanita virosa ser puramente branca, como a túnica de um anjo, extremamente bonita mas mortal. Também é conhecido como Amanite vireuse ou Ange de la Mort em Francês, e Amanita maloliente ou Oronja chepuda em Espanhol.
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Taxonomia:
•Reino: Fungi
•Filo: Basidiomycota
•Classe: Agaricomycetes
•Subclasse: Agaricomycetidae
•Ordem: Agaricales
•Família: Amanitaceae
•Género: Amanita
•Espécie: Amanita virosa
Amanita virosa é um cogumelo, também conhecido por Destroying Angel ou White Amanita. É completamente branco, tem um estipe escamoso, com um véu convexo, um pouco viscoso, brilhante, macio e sem "verrugas" e é pegajoso quando se encontra molhado. Debaixo do véu, existem várias lâminas brancas. O estipe escamoso permite distinguir Amanita virosa de Amanita verna, pois este último possui um estipe macio. A base do estipe é delgada e é rodeada por uma volva larga livre de esporos.
Quando em contacto com uma solução de iodo, torna-se azul e em contacto com hidróxido de sódio adquire uma cor amarelo-brilhante. Este último aspecto é bastante útil para distinguir a Amanita virosa de outras espécies, nomeadamente da Amanita verna, que não se conseguem distinguir a nível microscópico.
Enquanto jovem, a Amanita virosa assemelha-se a um ovo de galinha, com um véu dando origem a uma bainha membranosa na base do seu estipe, mas permanecendo escondida debaixo do solo. O seu véu é ligeiramente pontiagudo, com uma superfície delgada emanando um odor um pouco desagradável. À medida que amadurece, torna-se seco, continua branco mas torna-se tingido de amarelo ou castanho no seu centro.
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Comummente encontrado em florestas cerradas e muitas vezes associado aos Coníferos (micorrizas). Mais frequentemente encontrado em locais limpos, especialmente em montanhas, borda de pântanos e na Escandinávia.
Também pode ser encontrado em pinheiros a altas altitudes. É quase sempre encontrado em solos pobres, sozinhos ou em pequenos grupos, entre o Verão e o Outono.
Originário da Europa mas também pode ser encontrado na América do Norte, Austrália e ainda no continente asiático.
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São heptapéptidos monocíclicos, contendo D-serina em vez de L-cisteína. Encontram-se relacionadas com as Falotoxinas em relação à estrutra química e semelhantes no que diz respeito à sua toxicidade e acção biológica. Incluem a viroidina, viroisina, deoxoviroisina, ala-viroidina, ala-desoxoviroidina e a deoxoviroidina.
O mecanismo de acção consiste na interacção selectiva e única com a membrana exterior do hepatócito. Este fenómeno vai modificar a permeabilidade da bomba de cálcio, alterando a homeostasia do cálcio, levando a danos no hepatócito. As virotoxinas reagem ainda com os filamentos de actina, o que resulta na polimerização na membrana e nos vacúolos.
VETTER, J., (1998) Toxins of Amanita virosa, Toxicon 36, pp 13-24
Contém também duas amatoxinas alfa e beta-amanitina e dois ciclopéptidos pertencentes à família das Falotoxinas (faloidina e falacidina). A alfa-amanitina é a mais predominante nas intoxicações por Amanita virosa
Intimamente relacionada com as amatoxinas, esta toxina é encontrada em extractos de Amanita virosa da Europa e da América do Norte. A sua toxicidade encontra-se entre a das virotoxinas e a das falotoxinas. A Amanita virosa da Europa contém uma quantidade considerável de alfa-amanitina para além da amaninamida, contrariamente à Amanita virosa da América do Norte que contém exclusivamente amaninamida, sendo que nenhuma delas contém beta-amanitina.
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A alfa-amanitina é absorvida através do tracto gastrointestinal e transportada até ao fígado pela veia porta. Apesar de nos seres humanos a absorção de amanitina ser muito rápida, o início dos sintomas clínicos ocorre geralmente 10 a 24h após a sua ingestão. Consequentemente, quando as pessoas procuram cuidados médicos, uma grande quantidade de toxina já foi absorvida.
Após a sua absorção, a alfa-amanitina distribui-se num volume de 160 a 290 mL por kg e circula livremente, não se ligando a proteínas.
A alfa-amanitina é excretada nas fezes, urina e bílis, podendo ocorrer recirculação enterohepática. Estudos concluíram que a excreção biliar de amanitina prolonga a sua presença na circulação sistémica e enterohepática, por re-uptake. No entanto, a principal via de excreção é a renal que corresponde a cerca de 85%.
Os sintomas do envenenamento por Amanita virosa ocorrem em 3 fases distintas:
1ª fase - 10 a 24 horas após a ingestão:
Dor abdominal, náuseas, vómitos, diarreia (ocasionalmente com sangue) e hematúria. Estes sintomas são normalmente acompanhados de febre, taquicardia, hipotensão, desidratação e desequilibrio electrolítico.
2ª fase - 2 a 3 dias após ingestão:
Parece haver remissão dos sintomas em face do início da deterioração da função hepática e renal
3ª fase - 3 a 4 dias após ingestão:
Dano hepatocelular e insuficiência renal progressiva, icterícia, hipoglicémia, oligúria, desenvolvimento de delírio e confusão.
Pode surgir miocardiopatia e coagulopatia, convulsões, coma podendo ocorrer morte.
A percentagem de mortalidade varia de 40 a 90%, sendo a morte normalmente resultado da falha renal ou hepática, ou de ambas.
Os envenenamentos por ingestão de cogumelos estão a aumentar em todo o mundo, com uma elevada taxa de mortalidade. Esta é resultante da ingestão de espécies produtoras de amanitina, nomeadamente espécies do género Amanita, que são os cogumelos mais letais de todos os cogumelos venenosos conhecidos.
A Amanita virosa é particularmente perigosa por se confundir com cogumelos edíveis da espécie Lepiota procera.
A única via de exposição à Amanita virosa é a ingestão da mesma.
Lepiota procera
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A abordagem dos pacientes após ingestão de cogumelos contendo amanitina ainda não se encontra bem definida.
Uma vez que não existe um antídoto específico, o tratamento passa por um tratamento sintomático, incluindo lavagem gástrica, laxantes, e administração entérica de carvão activado, bem como operações extra-corporais, como por exemplo, hemodiálise, hemoperfusão e/ou plasmaferese. Aparelhos para ajudar a limpar o fígado de toxinas secundárias e apoiar a regeneração hepática parecem benéficas.
O bloqueio da circulação hepática da amanitina pela sucção do fluído duodenal, através de um tubo nasoduodenal ou drenagem externa completa da bílis por um tubo nasobiliar como uma técnica mais invasiva para a destoxificação foram controversamente discutidos, dado o risco elevado de hemorragias por papilotomia ou pancreatite.
A penicilina-G, silimarina e agentes que removem radicais livres foram incluídos como medicação hepatoprotectiva que são usados no ambiente clínico. No entanto, o transplante do fígado permanece a única terapia aceite nos casos mais graves.
Actualmente, os estudos relativos à alfa-amanitina não visam a explicação do mecanismo de acção da toxina, uma vez que este parece já estar bem estabelecido, mas sim a procura de um antídoto eficaz que reverta os efeitos da alfa-amanitina. A N-acetilcisteína, benzilpenicilina, cimetidina, ácido tiótico e silibina são compostos que se encontram a ser estudados no momento.