E assim em diante em todas as onze páginas hoje ocupadas com obras de artista (?) anônimo. Talvez umas 20 a 30 boas fotografias coloridas mostrassem pelo menos um pouco da realidade dos ciganos Rom, Sinti e Calon no Brasil, sedentários e nômades, realidade que a autora parece desconhecer por completo. Porque é incapaz de enxergar além do próprio umbigo.
Após ler a cartilha, que foi impressa em luxuoso papel liso, um cigano disse que é uma khul e que não serve nem para xrtija pálla toaléto. Críticas injustas e inaceitáveis, certamente de algum cigano invejoso e analfabeto que não entendeu bem o espírito da cartilha. Sem dúvida alguma, Mirian Stanescon, ao publicar esta “Cartilha” para ciganos analfabetos (porque ela diz que 99% dos ciganos são analfabetos), fez uma grande obra, que saiu do fundo de seu ilô romanô, abundantemente representado na página 6.
Quanto à crítica final, eu mesmo experimentei e, embora não seja ideal, serve perfeitamente para aquilo. Aliás, a sua única utilidade pública. Vai ser muito útil principalmente para os ciganos nômades. Vou pedir mais alguns exemplares, enquanto aguardo ansiosamente a prometida versão em CD, para ciganos surdos, e a versão em DVD, para ciganos cegos e surdos. Quantas atrocidades publicadas com dinheiro público!