Deve ser a primeira e única advogada cigana capaz de tratar dos direitos ciganos em menos de duas páginas! E quantos ciganos ela defendeu até hoje, obviamente gratuitamente, que pediram a sua assistência jurídica? Posso dar a resposta: nenhum! Até a sua “Cartilha” publicada com dinheiro público, e que deveria ser distribuida gratuitamente entre os ciganos, ela está vendendo, e vendendo caro!
Finalmente a Mirian acrescenta menos de quatro linhas sobre “direitos dos ciganos / direitos das minorias”, informando apenas que os ciganos que se sentem discriminados podem recorrer aos órgãos citados em doze sites na internet. Na página final cita ainda telefones, sites e emails de algumas organizações não governamentais.
Ou seja, a autora pressupõe que todos os ciganos tenham um computador, ou acesso a um computador, e saibam usar a internet e fazer o download de textos publicados em formato PDF ou “zipados”, e que tenham uma impressora para depois imprimir estas informações. Até as famílias calon nômades do Nordeste, em suas miseráveis barracas de lona de caminhão, com certeza sempre têm pelo menos um computador no seu acampamento, nem que seja apenas um notebook! Obviamente com internet, e banda larga, o que exige no mínimo que na barraca tenham também um telefone fixo! Simples, fácil, elementar, e barato!
A autora Mirian Stanescon, e todos os ciganos no Brasil, estão de parabéns com a publicação desta maravilhosa, magnífica e bem esclarecedora cartilha! Daqui em diante, quando discriminados e perseguidos pela população gadjé ou pela polícia, os brasileiros ciganos só precisam rapidamente ligar seus computadores, entrar na internet e logo saberão como e onde denunciar e reclamar os seus direitos, e logo encontrarão defensores, embora apenas virtuais e a milhares de quilômetros de distância. Parece que a autora, morando no seu luxuoso palácio numa cobertura no Rio de Janeiro, desconhece por completo a realidade dos ciganos brasileiros no andar têrreo, ou no quintal, principalmente dos ciganos nômades.