CIGANO, CIDADÃO BRASILEIRO
As comunidades Ciganas sempre estiveram, no transcorrer.de sua história, fechadas nos limites dos seus acampamentos, como se estes fossem guetos próprios, o que fez com que suas crianças, estigmatizadas, também fossem excluídas de bens e serviços oferecidos à infância e à juventude no Brasil, por fatores de várias ordens. Recentes iniciativas governamentais têm buscado afirmar a relevância do papel que os Ciganos desempenharam ( e desempenham ) na construção desta nação, bem como instituíram legislação que faculta, ao Cigano, o direito de nomear-se CIDADÃO BRASILEIRO. Porém...
Porém, embora a ABRACIPR, na esteira dessas realizações e consciente do papel que todos os brasileiros desempenham para a concretização do que os documentos legais prevêem, busque reunir e congregar os Ciganos existentes no estado do Paraná em uma associação que lhes dê visibilidade e possibilite o que, até agora, historicamente, lhes foi e continua a ser negado.
A Sub Secretaria dos Direitos Humanos, na pessoa do senhor Perly Cipriano, embora tenha acenado com um apoio efetivo as nossas iniciativas, hoje muda o discurso. Nega a possibilidade de que realizemos encontros nossos, para que possamos elaborar projetos de interesse da comunidade Cigana.
Em 2003, o senhor em questão, participou de um "congresso" realizado pela APRECI, em Curitiba. Falou - e o que disse, brevemente vamos disponibilizar em vídeo, neste site - pelos cotovelos, usando textos que até os dias de hoje são os mesmos. Mas mudou a parte mais importante, onde dizia: " Nenhuma política terá sucesso se não contar com a participação da comunidade cigana e suas lideranças." Hoje, transferiu a política de liderança para a Pastoral dos Nômades da CNBB, representada pelo Pe. Wallace do Carmo Zanon, através "convênio" firmado com a entidade, conforme sua propria afirmativa em reunião - fracassada - na cidade de Curitiba.
Afirmou, também na reunião, que poderiamos realizar nossas reuniões, mas que a Secretaria não possuia recursos para a finalidade. E, perguntamos: O "convênio" firmado com a Pastoral dos Nômades da CNBB, envolve recursos do governo?
Como na reunião comparecemos sómente - a ABRACIPR, representada pelo seu presidente Masinho Soares e o Coordenador de Projetos Especiais, Wasyl Stuparyk e a APRECI, representada por seu presidente Claudio Iovanovitchi - o Pe. Wallace, pediu a uma das professoras da Pastoral da Criança, que com seu carro fosse buscar Ciganos que estão acampados em baixo de um viaduto em Curitiba.
Bem, fica claro que, mesmo para trazer 4 Ciganos, dentro da própria cidade, envolve recursos financeiros. Ou será que a vinda do Sr. Perly Cipriano, do Pe. Wallace, da Sra. representante do Ministério da Saúde e do Ministério da Cultura, foram custeadas pelos próprios e não pelas entidades que representam?
Para realizar a reunião, o Pe. Wallace sugeriu que convocássemos os Ciganos de Curitiba. A ABRACIPR, em reunião decidiu que: ou convocariamos Ciganos de todos os acampamentos existentes no Paraná, ou não convocaríamos ninguem, pois entendemos que todos deveriam expressar suas opiniões, em uma reunião própria, com a liberdade exigida pela comunidade cigana, sem pressões e discursos préviamente elaborados dos representantes do governo que à nós se apresentam.
Insistimos, por varias vezes, no direito de nos reunir e recebemos respostas definitivas de que "não seria possível." O que é que temem? Somos Ciganos e Cidadãos Brasileiros. Não vamos subverter a ordem. Gostaríamos, apenas, de elencar nossas necessidades e prioridades. É muito? Com certeza, muito mais barato que o "turismo social" que eles vem fazendo.
Não se enganem, Ciganos. Por vocês, só vocês mesmos. O resto, é para justificar verbas, com fotografias e relatórios burocráticos.